quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Raciocínio emocional e o caso da viagem

Às vezes, podemos ser tomados pela ideia de que as coisas não vão dar certo ou de que coisas ruins vão acontecer, porque nos sentimos mal agora. Nestes casos, usamos nossas emoções e sensações físicas para guiar nossa percepção a respeito do nosso futuro: se eu me sinto ansioso é porque algo ruim vai acontecer. Isso é chamado "raciocínio emocional".

Para avaliar o quanto essa ideia é real,  é preciso verificar os fatos: quantas vezes você se sentiu desconfortável (física ou emocionalmente) e quantas vezes coisas terríveis aconteceram? Se a resposta for "sempre", acredito que possamos dizer que suas sensações podem ser um indício confiável de que as coisas não vão dar certo (tão certo quanto alguém que tem intolerância à gluten e come pão, se sentirá mal depois); mas se você respondeu "algumas  ou poucas vezes", talvez seus sentimentos e sensações não sejam bons indicadores neste sentido.

Eu diria mais até: pensar que as coisas podem dar errado produz ansiedade, portanto, pode ser o receio de que algo ruim aconteça que deixa você se sentindo mal, e não algum tipo de premonição. O incômodo emocional ou físico, neste caso, é efeito e não causa ou alarme.

E porque resolvi falar sobre isso? Porque eu percebi isso acontecendo comigo!
 
Era sexta-feira e eu estava me sentindo meio estranha. Comecei a perceber pensamentos negativos sobre uma viagem que faria no dia seguinte ("ai, acho que a viagem não será boa...") que me deixaram um pouco desmotivada a ir.
 
Ao mesmo tempo, estava estudando, acabei lendo algo sobre "raciocínio emocional" e tive um "clique": "será que estou usando o raciocínio emocional e por isso estou desanimada com a viagem?" 
 
Para responder a pergunta, decidi investigar quais os fatos que me ajudavam a achar que minha viagem não seria boa. E sabe qual o único que eu achei?  Porque não estava me sentindo bem (disposta, alegre, empolgada) naquele momento.
 
Aí, fiz algo que mudou o resto da minha noite: normalizei minha sensação (Eita! Do que você está falando, Ana?). Normalizar é o mesmo que verificar se o que estou sentindo pode ser explicado por condições normais, se é algo comum de acontecer naquele contexto. E eu vi que era. Olha só o que eu disse pra mim:
 
"Ana, é sexta à noite, hoje o dia foi cheio e corrido, a semana foi cheia, estou bem cansada e minha bateria já está acabando. É NORMAL que eu não me sinta 100% agora, cheia de energia"
 
Pensar dese jeito me deixou mais calma e, "automaticamente" a ideia de que a viagem seria ruim foi embora, porque eu percebi que minha sensação não tinha nenhuma ligação com o que aconteceria no dia seguinte (nunca percebi em mim dons como os da mãe Dinah, porque os desenvolveria hoje?), mas tinha com o que havia acontecido a semana inteira...
 
E só pra reforçar essa minha conclusão, quero que saibam que a viagem foi ótima! Fiz um curso maravilhoso, aprendi pra caramba e ainda me diverti. Então, meu pensamento, realmente, não era um presságio, era só um pensamento distorcido pelo raciocínio emocional.
 
Não creio que todas as vezes que temos pensamentos ansiosos ou desanimadores isso aconteça devido à presença do raciocínio emocional, mas não custa verificar, não é?
 
Ana Carolina Diethelm Kley
Para me adicionar no Twitter: @AnaDKley

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