terça-feira, 21 de junho de 2011

"Quem procura ajuda é fraco"

Levando em consideração que vivemos todos juntos e que contamos com a colaboração uns dos outros para quase tudo nesta vida (afinal, não sou eu quem faz o pãozinho que como pela manhã, nem sou eu quem provê a internet que utilizo todos os dias), essa ideia é um pouco enigmática pra mim.

Parece que, para algumas coisas, não há problema em contar com a colaboração do outro. Mas, quando não se está bem ou diante de alguma questão difícil, aí sim é coisa de gente fraca precisar de ajuda (dois pesos, duas medidas).

Então, forte é aquele que se vira, que resolve tudo por conta própria, que administra sozinho todos os problemas o tempo inteiro, que sabe tudo de todas as coisas e, portanto, não precisa de auxílio nenhum.

Baseado neste conceito de FORTE, até eu concordo que ir atrás de ajuda é coisa de gente fraca.

Só que será que este conceito é possível? Você conhece alguém (de verdade) que se encaixa nele? As pessoas que você considera fortes realmente são assim?

Um exemplo de uma pessoa que eu considero forte é a Marina Silva (atenção: este post não tem conotação política).

Explicando: ela era seringueira, foi a única da sua comunidade a estudar e a ingressar na faculdade, teve uma série de questões sérias de saúde (chegou a ser desenganada), muitas das quais levaram irmãs suas a falecer; teve quatro filhos, ascendeu na política, foi ministra e candidata a presidente do Brasil.  Se eu fosse tentar encaixá-la no conceito de gente forte acima, Marina seria considerada uma pessoa fraca.

Afinal, ela insistiu nos seus objetivos, mas não fez isso sozinha; precisou de ajuda (dos médicos, dos professores, dos colegas, das pessoas que cruzaram seu caminho e o tornaram mais leve); não sabe de todas as coisas, embora tenha um conhecimento profundo sobre questões importantes e se comunique muito bem.

Mas, e se ela tivesse pensado, lá no seringal Bagaço, que se contasse com alguém seria fraca, hoje o Brasil não teria um grande exemplo no qual se espelhar.

Então, me baseando neste e em outros exemplos de gente forte, eu me pergunto: o que vale mais a pena pra você? Continuar levando adiante seu sofrimento (e vê-lo se agravar dia após dia) ou rever seus conceitos e perceber que procurar ajuda é uma necessidade básica e algo natural, que ao invés de tirar seu valor, faz com que você demonstre que está interessado em melhorar, em se mexer e ir atrás do que quer de verdade.

As pessoas que gostam de você e acompanham seu sofrimento, com certeza (e eu nem as conheço!), pensariam coisas muito positivas a seu respeito se você procurasse ajuda e fosse mais feliz.

Ana Carolina Diethelm Kley
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