quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Improdutividade e a voz do perfeccionismo: nem tudo é tão definitivo quanto parece

Caros leitores, aqui estou com mais um caso pessoal para compartilhar.

Foi um fato "simples", mas do qual tirei alguns aprendizados que podem ser úteis para pessoas que ficam desanimadas e/ou desesperançadas com alguma frequência.

Mas vamos ao que aconteceu:
há momentos da minha semana que são reservados para estudar, ler ou fazer quaisquer outras coisas necessárias relativas ao trabalho (fora os atendimentos) e houve um dia em que eu me senti com muito sono, absolutamente improdutiva em um destes períodos (não tinha energia nem para formular uma frase direito) por uma série de motivos. Tentei começar várias coisas e nada ia pra frente.

Aí, decidi parar de me forçar e fui fazer outra coisa (no caso, fui ver um filme). 

Até aí, você, que está de fora, pode olhar meu relato e me perguntar: "mas o que tem demais nisso tudo, Ana?"

Se você não é uma pessoa perfeccionista, poderá achar o que aconteceu normal. Porém, se você tende a se cobrar muito pode ter uma ideia do que passou pela minha cabeça (sim, eu sou/era/estou tentando deixar de ser muito perfeccionista). 

Veja a imagem e leia as frase abaixo (foi mais ou menos assim...):

- que absurdo você ver um filme/descansar quando você deveria estudar!
- onde é que isso vai parar?!

- que absurdo você estar neste nível de cansaço!

- desse jeito, não vai mais aguentar trabalhar. Você não tem condições de aguentar esse ritmo. Deveria desistir, então, Deveria deixar tudo de lado e fazer algo mais tranquilo, que te exigisse menos. 
- se você não aguenta um dia, então, não vai dar conta do que tem pra fazer pela frente.
- se você está assim agora, como vai querer mais responsabilidades? Como poderá ajudar pessoas?
- Desista! Você não foi feita pra isso.

Cruel, não? 
Eu acho! Por isso, depois de muito treinar, estou conseguindo não dar tantos ouvidos a tamanho exagero. 

Você conseguiu identificar onde está o exagero nessa forma de enxergar as coisas?
Se não conseguiu, vou deixá-lo mais claro. Vamos lá:

1) Se eu fui improdutiva um dia, sempre serei.
(o mais realista é ver que esse nível de cansaço aconteceu naquele dia, que eu tenho o poder de me recuperar e me adaptar às situações e/ou, se eu realmente achar que as coisas estão pesadas, ainda posso pensar num plano de ação para modificar isso)

2) Eu não deveria ficar tão cansada nunca e/ou sempre deveria ser produtiva.
(nenhum ser humano consegue ter a produtividade de uma máquina. Aliás, as máquinas, em geral, também precisam de um período de recesso. Sendo assim, é irreal esperar produtividade máxima de forma eterna. É preciso alocar tempo e energia para se cuidar, e isso pode dizer colocar o tempo em atividades de lazer ou mesmo dormir)

3) Se estou assim cansada, não conseguirei lidar com mais responsabilidades.
(O perfeccionismo tem mania de insinuar que as coisas que fazemos agora são preditores fiéis do futuro: se eu não sei lidar com  minhas responsabilidades agora, não terei como dar conta de outras no futuro. Ora, porque eu precisei descansar um dia, isso não quer dizer que eu deixei de ser responsável. Ninguém foi prejudicado por causa disso. As pessoas não precisam ser perfeitas para lidarem com suas tarefas, para bancarem suas vidas. Elas simplesmente fazem isso do melhor jeito que podem e as coisas acontecem).

4) Ou faz a coisa direito sempre ou é melhor nem fazer.
(Ai, esse "tudo ou nada".... depois de descansar a cabeça, consegui retomar meu trabalho melhor. As ações feitas tem sua importância relativa e, enxergar essa validade, ajuda a responder ao tudo ou nada: qualquer auxílio que eu prover, por mais que possa não revolucionar a vida de alguém, é útil para aquele que o recebe. Inútil mesmo é seguir essa voz, ficar desanimada e desperdiçar oportunidades. Se eu não for capaz de fazer algo hoje, serei amanhã, ou depois. Aliás, nesse momento, ajuda lembrar das coisas boas e úteis que já se fez em outros momentos da vida, mostrando que você é um ser capaz, mas que tem momentos de improdutividade, como todas as pessoas).

Esse foi mais um post para falar do perfeccionismo e do tudo ou nada, além de mostrar formas alternativas (e realistas) de pensar. Se me ajudou a ser mais compreensiva comigo, pode ajudá-lo também, caro leitor. É uma questão de treino.

obs.: a foto acima é do filme Whiplash, uma excelente inspiração para falar sobre rigidez, excesso de exigências e outros temas. Aguardem...

Ana Carolina Diethelm Kley
anacdkley@hotmail.com
Para me adicionar no Twitter: @AnaDKley

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