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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Improdutividade e a voz do perfeccionismo: nem tudo é tão definitivo quanto parece

Caros leitores, aqui estou com mais um caso pessoal para compartilhar.

Foi um fato "simples", mas do qual tirei alguns aprendizados que podem ser úteis para pessoas que ficam desanimadas e/ou desesperançadas com alguma frequência.

Mas vamos ao que aconteceu:
há momentos da minha semana que são reservados para estudar, ler ou fazer quaisquer outras coisas necessárias relativas ao trabalho (fora os atendimentos) e houve um dia em que eu me senti com muito sono, absolutamente improdutiva em um destes períodos (não tinha energia nem para formular uma frase direito) por uma série de motivos. Tentei começar várias coisas e nada ia pra frente.

Aí, decidi parar de me forçar e fui fazer outra coisa (no caso, fui ver um filme). 

Até aí, você, que está de fora, pode olhar meu relato e me perguntar: "mas o que tem demais nisso tudo, Ana?"

Se você não é uma pessoa perfeccionista, poderá achar o que aconteceu normal. Porém, se você tende a se cobrar muito pode ter uma ideia do que passou pela minha cabeça (sim, eu sou/era/estou tentando deixar de ser muito perfeccionista). 

Veja a imagem e leia as frase abaixo (foi mais ou menos assim...):

- que absurdo você ver um filme/descansar quando você deveria estudar!
- onde é que isso vai parar?!

- que absurdo você estar neste nível de cansaço!

- desse jeito, não vai mais aguentar trabalhar. Você não tem condições de aguentar esse ritmo. Deveria desistir, então, Deveria deixar tudo de lado e fazer algo mais tranquilo, que te exigisse menos. 
- se você não aguenta um dia, então, não vai dar conta do que tem pra fazer pela frente.
- se você está assim agora, como vai querer mais responsabilidades? Como poderá ajudar pessoas?
- Desista! Você não foi feita pra isso.

Cruel, não? 
Eu acho! Por isso, depois de muito treinar, estou conseguindo não dar tantos ouvidos a tamanho exagero. 

Você conseguiu identificar onde está o exagero nessa forma de enxergar as coisas?
Se não conseguiu, vou deixá-lo mais claro. Vamos lá:

1) Se eu fui improdutiva um dia, sempre serei.
(o mais realista é ver que esse nível de cansaço aconteceu naquele dia, que eu tenho o poder de me recuperar e me adaptar às situações e/ou, se eu realmente achar que as coisas estão pesadas, ainda posso pensar num plano de ação para modificar isso)

2) Eu não deveria ficar tão cansada nunca e/ou sempre deveria ser produtiva.
(nenhum ser humano consegue ter a produtividade de uma máquina. Aliás, as máquinas, em geral, também precisam de um período de recesso. Sendo assim, é irreal esperar produtividade máxima de forma eterna. É preciso alocar tempo e energia para se cuidar, e isso pode dizer colocar o tempo em atividades de lazer ou mesmo dormir)

3) Se estou assim cansada, não conseguirei lidar com mais responsabilidades.
(O perfeccionismo tem mania de insinuar que as coisas que fazemos agora são preditores fiéis do futuro: se eu não sei lidar com  minhas responsabilidades agora, não terei como dar conta de outras no futuro. Ora, porque eu precisei descansar um dia, isso não quer dizer que eu deixei de ser responsável. Ninguém foi prejudicado por causa disso. As pessoas não precisam ser perfeitas para lidarem com suas tarefas, para bancarem suas vidas. Elas simplesmente fazem isso do melhor jeito que podem e as coisas acontecem).

4) Ou faz a coisa direito sempre ou é melhor nem fazer.
(Ai, esse "tudo ou nada".... depois de descansar a cabeça, consegui retomar meu trabalho melhor. As ações feitas tem sua importância relativa e, enxergar essa validade, ajuda a responder ao tudo ou nada: qualquer auxílio que eu prover, por mais que possa não revolucionar a vida de alguém, é útil para aquele que o recebe. Inútil mesmo é seguir essa voz, ficar desanimada e desperdiçar oportunidades. Se eu não for capaz de fazer algo hoje, serei amanhã, ou depois. Aliás, nesse momento, ajuda lembrar das coisas boas e úteis que já se fez em outros momentos da vida, mostrando que você é um ser capaz, mas que tem momentos de improdutividade, como todas as pessoas).

Esse foi mais um post para falar do perfeccionismo e do tudo ou nada, além de mostrar formas alternativas (e realistas) de pensar. Se me ajudou a ser mais compreensiva comigo, pode ajudá-lo também, caro leitor. É uma questão de treino.

obs.: a foto acima é do filme Whiplash, uma excelente inspiração para falar sobre rigidez, excesso de exigências e outros temas. Aguardem...

Ana Carolina Diethelm Kley
anacdkley@hotmail.com
Para me adicionar no Twitter: @AnaDKley

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Como amenizar o foco no negativo

Quando falei sobre focar demais no negativo, meu objetivo foi chamar a atenção para este hábito que, por ser automático, pode ser visto como algo natural e "normal".

Normal até pode ser, porque é bastante comum, mas não é natural. Foi algo aprendido ao longo do tempo (pode ter certeza!)...Não vou me prender, hoje, a como isso aconteceu. Prefiro refletir sobre jeitos de amenizar essa tendência.

Da mesma maneira como as pessoas que tem miopia (ou seja, uma forma distorcida de enxergar as coisas), precisam de óculos, as pessoas que tem muito foco no negativo também precisam ajustar sua forma de valorizar o que acontece.

Valorizar, neste caso, inclui enxergar e dar o peso que as coisas positivas realmente tem, sem supervalorizá-las (como faria a Poliana) e nem desprezá-las.

Muitas coisas boas e positivas que fazemos e somos acabam passando batido pela ideia de que "isso não é mais que obrigação" (portanto, não tem validade nenhuma, não diz nada demais).

A questão é que tudo o que você faz, por mais que faça parte de alguma "obrigação", é escolha sua. Você escolhe ir trabalhar todo dia (mesmo sem tanta disposição, às vezes); fazer o melhor possível, ao invés de ficar o dia inteiro enrolando no Facebook; dar bom dia pras pessoas, ao invés de fechar a cara. É você quem escolhe respeitar o sinal de trânsito, ao invés de passar no vermelho; é sua escolha também dizer "bom dia, boa tarde, obrigado, por favor". São pequenas decisões diárias que produzem bons resultados ao longo do tempo. Por que não enxergá-los como ações relevantes, que tem sua importância?

"Ah, Ana, bobagem! Pra que levar isso em conta? É tudo tão pequeno!"

Caro leitor, são de passos pequenos que a vida cotidiana é feita. Mas, clichês à parte, vamos ver se estes atos passam pela prova do contrário. Já ouviu falar dela?

Funciona assim:  se você não fizesse alguma dessas coisas (chegar no horário no trabalho, fazer o melhor possível, dar bom dia para as pessoas, respeitar o sinal vermelho), isso seria notado? Teria consequências negativas? Seria visto como uma falta?

Se a resposta for sim, então, estamos diante de um erro. O contrário de erro só pode ser um acerto. Então, essas pequenas coisas são acertos que você pratica diariamente e que te ajudam a ter resultados ao longo dos seus dias e semanas (sejam eles incorporados à rotina, como um bom relacionamento com os colegas - influenciado pelos seus "bons dias"; ou mais aparentes, como ser promovido ou concluir um grande projeto).

Considerá-los como válidos e pertinentes pode te ajudar a ter uma visão mais realista a respeito do quanto você produz e de quem você é.  Pode até ajudar a aprender com seus erros, já que uma pessoa que se sente bem consigo, geralmente, tem mais disposição para olhar para as situações  e aprender com elas (quando nossa autoestima está enfraquecida, a tendência é ficar só se criticando, sem tirar muita coisa de proveitoso da situação). 

Se você achou a ideia interessante, que tal testar? 
Observação importante: tentativas também podem ser vistas como acertos já que elas, gradualmente, te levarão mais perto do que você quer. Fica a dica...

Ana Carolina Diethelm Kley
anacdkley@hotmail.com
Para me adicionar no Twitter: @AnaDKley

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Por que focar o negativo é tão importante?

Focar no negativo é um hábito e aparece em várias situações

- as notícias que mais aparecem nos jornais (e que dão mais audiência) são aquelas que tem relação com coisas ruins; 
- numa rodinha em que estão falando de alguém, é comum focar nos pontos "fracos" do outro (felizmente, há exceções!); 
- quando avaliamos nosso desempenho, o usual é colocar a atenção no que não está tão bom,  no erro, no que "deveria ser melhor" (ou, em outras palavras: no que falta); 
- quando nos preocupamos com uma situação, tendemos a pensar em tudo o que pode dar errado (às vezes, nem lembramos que existe a possibilidade de dar certo).

Resolvi escrever sobre isso por perceber, em mim e nos outros, o estrago que esse hábito provoca. 

É como se o aspecto negativo da situação tivesse mais importância que o positivo. 
É como se o negativo quisesse realmente dizer algo relevante sobre nós, sobre a situação ou sobre o futuro, enquanto o positivo não passasse de acaso ou sorte. 
É como se tudo o que é negativo fosse um sinal de alerta importantíssimo, e não pudéssemos, de jeito nenhum, contar com a presença e a proteção do positivo.

Até acredito que essa maneira de pensar possa ter sido uma ferramenta de sobrevivência em alguma parte da evolução da humanidade. Mas será que ainda é? Desse jeito maciço que se apresenta hoje em dia?

Acredito que perdemos muito ao não enxergar o positivo com o peso que ele realmente tem:
- "pequenas" conquistas diárias como prova de capacidade, adaptação, inteligência 
- "pequenas" demonstrações como prova de que somos queridos, lembrados e que se importam conosco 
- tentativas como meios de aprendizado e que, de qualquer maneira, também são provas de inteligência, persistência e habilidade
- tudo o que conseguimos fazer como algo a mais do que era/estava

O erro cognitivo (como chamamos dentro da Terapia Cognitiva) do foco no negativo é um hábito que pode predispor as pessoas, no mínimo, à depreciação (de si e do outro), à ideia de insuficiência e de desamparo, além de, em casos mais extremos,  à depressão e ao excesso de ansiedade.

Você já parou para perceber se faz isso (principalmente com você mesmo)?

O primeiro passo para mudar é se dar conta de que você tem esse hábito mental, das situações em que ele aparece, o que você pensa e o que acaba fazendo. Para ajudar nessa percepção, sugiro um aplicativo chamado Cogni.

Lá vão os links com mais informações sobre como ele funciona:

Quando perceber que ficou desanimado (um dos sinais mais frequentes do foco excessivo no negativo), você pega o celular, abre o aplicativo e anota as informações que ele pedir. Ao longo de uma semana, você terá um histórico que poderá acessar também pelo e-mail. 

Com esse histórico, pode ficar mais fácil perceber a presença do hábito e, com a prática de questionar suas conclusões, mudá-lo. 

Ana Carolina Diethelm Kley
anacdkley@hotmail.com
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quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Não deixe Hollywood acabar com sua autoestima

Este é mais um post da série "se divirta com as comédias românticas, mas cuidado com as mensagens que elas passam". O outro post é esse aqui.

Resolvi falar sobre isso porque ando preocupada com o efeito de algumas ideias estimuladas (indiretamente) pelos filmes.

Por exemplo:  "Se eu for bom(a) o suficiente, o outro vai se interessar/gostar de mim" (independentemente de quem seja o(a) outro(a) ou do momento de vida em que ele(a) se encontra) é uma maneira de pensar bem comum e reafirmada em muitas comédias românticas. 

Gostar ou não de alguém não é uma operação matemática, na qual sabemos o que deve ser colocado junto para dar a soma pretendida. Na realidade, é algo que, até hoje, não se sabe dizer muito bem como acontece, embora ocorra com frequência.

Algumas questões, no entanto, fazem parte do se interessar. Segue uma lista (que não pretende ser absoluta, apenas demonstrativa):

- ter uma aparência física atraente 
(o que é algo muito relativo, pois os interesses mudam de pessoa pra pessoa)

- ter afinidades 
(que vão desde caráter e princípios, passando por planos em comum e nível de socialização mais confortável para cada um, até chegar em gostos para filmes, comidas preferidas e outras coisas mais corriqueiras)

- ter disponibilidade 
(esse aqui é um item importantíssimo e que, em geral, não é levado em conta. As pessoas precisam estar disponíveis  e dispostas a se envolver. Como saber isso? Atente para o que a pessoa faz, não para o que ela fala. Pessoas realmente disponíveis mostram interesse de forma frequente, cada um à sua maneira)

- estar num momento de vida propício para um relacionamento 
(tem relação com o item acima, mas decidi explicar melhor: significa que a pessoa está aberta para ter um relacionamento. O que é não estar num momento propício? Em geral, pessoas que acabaram de sair de um relacionamento e/ou que sofreram muito com alguém recentemente, que estão querendo curtir a solteirice, que não conseguem se abrir, entre outros)

Então, você pode encontrar o homem ou a mulher "da sua vida" (aparentemente), mas se ele ou ela estiver em falta com algum destes itens, pode ser que o relacionamento não vá pra frente.

A questão é que nosso valor não é capaz de modificar o fato, por exemplo, da pessoa não estar disponível, pois essa é uma questão que tem a ver só com a própria pessoa. Mas,  aí, entra Hollywood: nos filmes, o que conta mesmo é quem você é, porque o outro sempre muda quando realmente o conhece. Então, não importa quem o outro seja ou em que momento de vida se encontre ou o grau de disponibilidade dele/dela. O que realmente faz diferença é se você é bom o suficiente, porque o outro com certeza, em algum momento, vai perceber isso e se abrir para um novo e maravilhoso relacionamento. Só se for em Hollywood mesmo. Aliás, agora consegui lembrar de um filme em que as coisas não são tão redondinhas assim ("Sex and the city - o filme"), mas acho que essa é uma exceção na terra do cinema.

Aqui, no Brasil, outros fatores costumam interferir (como estes que eu citei), alguns relacionamentos não vão pra frente e a autoestima vai lá pra baixo: "se eu fosse bom(a) mesmo, ele teria ficado comigo. Não valho a pena".

Então, antes de chegar a alguma conclusão sobre seu valor como pessoa e sobre seu futuro na terra dos relacionamentos, talvez seja prudente avaliar a pessoa pela qual você se interessa e verificar como ela preenche (ou não) os itens acima. Com essa análise, pode-se chegar a conclusões mais realistas  e a uma autoestima mais preservada

Ana Carolina Diethelm Kley
anacdkley@hotmail.com
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quinta-feira, 2 de abril de 2015

Autocobrança: até onde ela te ajuda?

Em relação à autocobrança parece existir uma divisão: aqueles que acham que se cobrar é sinal de responsabilidade e ambição na vida e aqueles que enxergam isso como um fardo, algo que gostariam de diminuir.
 
Quem está certo?
 
Até que ponto a autocobrança estimula (de verdade)?
 
Minha opinião de psicóloga, que vê todo dia isso no consultório, é que as pessoas podem não enxergar o que de fato acontece.
 
O que as pessoas vêem: eu me cobro para que eu tenha motivação para seguir adiante, para que eu consiga cada vez mais resultados, para que eu não me acomode e meu trabalho seja cada vez melhor, para que eu possa crescer profissionalmente e como pessoa.
 
O que eu vejo: muita gente se colocando metas que não são reais, se exigindo mais do que qualquer ser humano seria capaz de fazer, não levando em conta seus acertos e qualidades, focando (quase exclusivamente) o que ainda não está bom, se recriminando porque as coisas já deveriam estar melhores (mesmo não havendo condições prévias reais pra isso) e tudo isso sem enxergar o perfeccionismo e a rigidez inerentes a estes comentários.
 
A autocobrança exagerada se apóia em ilusões: não tenho limites, dou um jeito em tudo, se eu for realmente competente, consigo fazer qualquer coisa e fazer bem, não tenho variações de humor nem de disposição, sou capaz de ficar imune a quaisquer outros problemas e continuar fazendo bem meu trabalho. Você conhece alguém capaz neste nível?
 
Eu não.
 
E resolvi escrever este post para alertar que, segundo a lei de Yerkes-Dodson (feita lá em 1908 e desconhecida por muitos até hoje), o estresse (gerado por pressão externa /eou interna) e a produtividade não são diretamente proporcionais o tempo inteiro. Trocando em miúdos, significa que a partir de um certo nível de pressão, a produtividade começa a cair inevitavelmente.
 
Sendo ainda mais direta, se cobrar excessivamente trará exatamente o que você não quer: resultados ruins.
 
Um dos sinais de que isso está acontecendo é  ter constantemente a ideia "tá bom, mas poderia estar melhor".
 
E uma das grandes saídas pra isso:  ser mais compreensivo consigo. É fácil? Talvez não seja, mas é uma questão de treino. E olhando para os benefícios disso, até que se esforçar para chegar lá pode não parecer tão ruim.
 
Ana Carolina Diethelm Kley
Para me adicionar no Twitter: @AnaDKley
 

quinta-feira, 19 de março de 2015

Não deixe Hollywood acabar com seu namoro

A primeira coisa que eu quero deixar claro é que eu adoro filmes. Tenho que admitir que me divirto e me distraio vendo comédias românticas, mas sei que elas não são tão inofensivas quanto parecem e é por conta disso que estou aqui hoje, caro leitor.
 
Meu objetivo com este post é alertar para algumas mensagens que podem ficar depois que o filme já acabou.
 
Hollywood parece mostrar como as pessoas que "realmente amam" se comportam: elas se esforçam muito (ex.: "Quem vai ficar com Mary"), fazem malabarismos para agradar e conquistar a pessoa todos os dias (ex.: "Como se fosse a primeira vez"), envolvem a família inteira da pessoa em homenagens (ex; "P.S. Eu te amo"), deixam de ser quem são ao conheceram a pessoa certa (ex. "Armações do amor"), enfim, mudam de personalidade, de país, de postura quando gostam do outro. E dizem isso a todo mundo o tempo inteiro.
 
É impossível que quando as pessoas amem elas façam sacrifícios, concessões e demonstrações? Claro que não! Mas Hollywood tende a exagerar no tamanho e planta (sutilmente) a ideia de que é normal e esperado que assim seja.
 
Aí, o que pode acontecer por causa disso?
 
Sentir-se rejeitado e desolado quando as coisas na vida real não seguem a lógica dos filmes. "Ele(a) não gosta de mim" porque  não faz tudo o que eu acho que deveria fazer, ou porque ele(a) não me entende totalmente (ler um pouco mais sobre telepatia é sempre útil), ou porque ele(a) não muda o jeito dele ser por mim ou não se esforça o suficiente.

Acontece que as pessoas tem diferentes formas de demonstrar que gostam e se importam uma com as outras. Para ter mais conhecimento sobre isso, há um livro bem informativo chamado "As 5 linguagens do amor". Eu sei que o nome pode parecer um pouco depreciativo, mas ele ajuda a pensar para além da lógica hollywoodiana, enxergar outras demonstrações de apreço e a se sentir mais valorizado, aceito e feliz. Por estes efeitos, talvez valha a pena dar uma olhada na próxima vez que você for numa livraria, não?

 
Ana Carolina Diethelm Kley
anacdkley@hotmail.com
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

"Tá bom, mas poderia estar melhor. (ponto final)"

Você já pensou desse jeito alguma vez?
Com que frequência essa ideia passa pela sua cabeça?
 
Para obter estas respostas, também posso fazer outras perguntas:
Você costuma desvalorizar o que faz de bom?
Com que frequência você fica desanimado ou desmotivado mesmo quando as coisas dão certo (os outros percebem que as coisas dão certo, mas talvez você não veja desse jeito)?
Você costuma não ir adiante com suas ideias e elas acabam ficando no papel?
É difícil concluir coisas?
 
A relação entre esta ideia e estes efeitos é claro pra você?
 
Se não é, deixe-me explicar melhor: a exigência contida no pensamento do título faz com que nunca fiquemos satisfeitos com o que conseguimos produzir, mesmo que seja o máximo possível naquelas condições. Mesmo que os outros percebam e valorizem isso (aliás, pode soar até falso quando os outros elogiam).
 
Talvez você ache que um dia ficará satisfeito, que é só uma questão de fazer do jeito certo. Até é possível que assim seja, mas observe: se com o passar dos anos, você colheu mais frustrações do que gostaria, talvez esse seja um sinal de que nada o deixará plenamente feliz  ou, pelo menos, não por muito tempo enquanto essa ideia tiver crédito.
 
Mas, Ana, há situações em que realmente a coisa poderia estar melhor e há o que se fazer nesse sentido!
 
Concordo com você, caro leitor.
Neste post, no entanto, não falo sobre este tipo de ideia; falo sobre outra, muito parecida, mas que termina no "poderia estar melhor" (por isso fiz questão de frisar o "ponto final").
 
A diferença está neste detalhe importantíssimo: quando conseguimos definir o que fazer para aquilo ser melhor, agimos e realmente ficamos satisfeitos. Agora, quando vem essa ideia de que sempre pode ser melhor, mas é até difícil definir como (quanto mais agir),  isso só serve para nos desmotivar; neste caso, estamos falando apenas de perfeccionismo. Puro e destrutivo perfeccionismo.
 
Se você se identificou com o que escrevi, quero que saiba: há esperança de ser mais feliz. O caminho é perceber e questionar essa ideia (mas isso já fica para um outro post). Se você não se viu neste post, ótimo! Minha sugestão é de que você ajude os outros a valorizar suas conquistas para que eles sejam mais felizes.
 
Ana Carolina Diethelm Kley
Para me adicionar no Twitter: @AnaDKley
 
 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Eu não consigo (não quero) deixar de me cobrar muito

Eu não quis ser irônica ao escrever o título deste post.
 
Na realidade, meu objetivo foi chamar a atenção para algo frequente: muitos são os que reclamam da autocobrança exagerada e poucos são os que realmente a deixam de lado.
 
Por que? 
 
Embora se cobrar muito tenha seus custos (como nunca se sentir nem suficiente nem satisfeito, ter insegurança, desânimo e baixa autoestima), é comum ter receios de mudar, tais como:
 
"Se eu não me cobrar, vou ficar desleixado, irresponsável e negligente"
"Se eu não pegar no meu pé, não farei as coisas direiro (meus resultados serão ruins) e não vou progredir"
"Se eu não for exigente comigo mesmo, vou errar mais e as coisas darão errado"
"Se eu não for atento, vou me largar"
 
Essas ideias sustentam comportamentos como:
- só focar nos erros e no que poderia/deveria ser melhor
- desqualificar os acertos (o "sim, mas...")
- estabelecer metas que não são alcançáveis (mas parecem...)
- se comparar com outras pessoas que tem resultados melhores que os seus (e se desmerecer, claro)
 
Essas ações tem consequências. Por exemplo: se você só foca no que deveria ter sido diferente (melhor!) e não foi, pode ficar com a falsa ideia de que não faz nada certo e de que, portanto, não é bom o suficiente. Pensando desse jeito, pode se sentir desanimado e não querer fazer mais nada, o que sabota qualquer possibilidade de aprimoramento.
 
Ou, então: se você estabelece pra si objetivos que não são humanamente possíveis (ex: trabalhar das 8:00 às 18:00 com o mesmo grau alto de motivação, sem sentir sono, cansaço ou qualquer coisa que atrapalhe sua produtividade), necessariamente, ficará frustrado  e poderá ver os resultados "ruins" como sinal da sua incompetência ou inadequação.
 
Por outro lado, ser mais compreensivo e tolerante consigo costuma ter efeitos incríveis como: melhora da autoestima (de forma realista), mais motivação e ânimo para seguir adiante, mais tranquilidade para lidar com o que não está bom, mais segurança, mais leveza, menos procrastinação (mais autonomia). Enfim, uma série de resultados que contrariam todas as ideias acima.
 
Caro leitor, não espero que você acredite que ser compreensivo tenha todas essas vantagens (a não ser que você já seja assim consigo). Eu mesma demorei a cogitar que isso era possível, mas não me arrependo de ter me permitido experimentar essa nova postura.
 
Espero, sim, que este post tenha ajudado a refletir um pouco sobre o que, de fato, se ganha e se perde com autocobrança exagerada e tolerância. Se quiser testar, veja algumas sugestões de como fazer isso aqui.
 
Ana Carolina Diethelm Kley
Para me adicionar no Twitter: @AnaDKley
 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Uma vida mais plena

Um ano novinho em folha e muita coisa pela frente. Que bom!

Você já pensou no que vai querer conquistar nos próximos meses?

E conquistas podem ser resultados como receber uma promoção, comprar algo importante ou se formar, mas pode ter a ver, também, com mudanças de características pessoais que atrapalham ou a vontade de ser "uma pessoa melhor".

Para os primeiros tipos de resultados, já propus algumas reflexões aqui no blog ao falar, por exemplo, sobre  colocar as coisas no papel, a importância de estabelecer objetivos claros e sobre como "fatiar" grandes objetivos em ações menores.
 
Agora, para quem gostaria de ser uma pessoa mais leve e tranquila, com menos barreiras para lidar com os próprios defeitos e com as outras pessoas, para os perfeccionistas em recuperação,  eu sugiro a leitura de um livro. Aliás, um excelente livro:
 
"A coragem de ser imperfeito"
de Brené Brown
Editora Sextante
 

 
Brené é formada em serviço social e pesquisa a vulnerabilidade e a vergonha há mais de 6 anos. Depois de entrevistar muitas pessoas para seu trabalho acadêmico, pode perceber alguns padrões envolvendo este tema, bem como vislumbrar o que ela chamou de "pessoas plenas", aquelas que se achavam merecedoras de aceitação, carinho e coisas boas, e que conviviam com seus defeitos e dificuldades de uma maneira mais leve e compreensiva.
 
Ela deu uma palestra no TED talk falando sobre o mesmo tema, e só com este vídeo (de aproximadamente 20 minutos), já dá pra ter uma ideia de quão interessante foram os resultados da pesquisa dela.
 
Mudar ou não só depende de você, mas concordo que, muitas vezes, uma ajudinha facilita o processo. Partindo desse pressuposto, acredito que tanto o vídeo quanto o livro possibilitem muitas reflexões úteis que, por sua vez, podem gerar mudanças de ideias e de comportamentos e, portanto, de resultados.
 
Estou quase terminando de ler o livro e digo, com propriedade, que ele é incrível: bem escrito, envolvente, desafiador por vezes, mas se você conseguir se desarmar e se reconhecer no que está escrito... os ganhos que se pode ter eu não sei nem mensurar!
 
Se um ano melhor (e porque não uma vida melhor) é o que você quer, a hora de agir é essa (já).
 
Um 2015 excelente a todos os leitores do Pensando Bem! Que neste  ano possamos ter e ser ainda mais, colaborarando para um mundo melhor.

Observação importante: obrigada à querida Daniella Didio Calderon pela indicação de um livro tão enriquecedor como este tem sido pra mim


Ana Carolina Diethelm Kley
Para me adicionar no Twitter: @AnaDKley
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