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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

O que podemos aprender com Matt Damon

Outro dia, vi o filme “Perdido em Marte”  e fiquei muito impressionada. Não pelos efeitos visuais, mas pela postura do personagem principal. E, como nada há nada melhor que um bom exemplo pra deixar claro do que estamos falando, resolvi escrever sobre isso.

No último post, falei um pouco sobre o comportamento estratégico  e, hoje, vou analisar o comportamento do Watney (Matt Damon) neste filme. Não pretendo deixar nenhum spoiler no texto , então, caso você ainda não tenha visto o filme, pode ficar tranquilo e aproveitar o post.

Mesmo se tratando de uma situação fictícia, a postura do personagem principal é bastante real e aplicável a várias situações aqui da Terra.

“E do que exatamente você está falando, Ana? “

Caro leitor, o que me chamou a atenção foi o fato do astronauta focar num problema por vez.

“E isso é digno de nota?” Até imagino alguns de vocês dizendo..

Sim! E muito. Principalmente porque ele se opõe a uma estratégia comumente utilizada que é, diante de problemas, pensar na pior possibilidade e se focar apenas nisso.

A função de “pensar no pior” pode ser se preparar para lidar com ele quando este vier a acontecer (se acontecer). A proposta até poderia ser louvável se fosse verdadeira. De fato, o que acontece é que, ao se focar apenas no pior, as pessoas sofrem, ficando desesperançadas e paralisadas.

É comum imaginar que, se você se concentrar no pior, não vai se surpreender quando ele acontecer e, portanto, conseguirá digerir mais rápido o fato e lidar melhor com a situação de uma forma geral.
Mas a questão que faço é: pensar que as coisas não vai dar certo ajuda a resolver problemas?

Não tenho uma resposta fechada para esta pergunta, mas minha observação do dia a dia me dá algumas informações importantes: percebo que as pessoas ficam tristes, desesperadas, não conseguem enxergar o próximo passo a ser dado, deixam de conversar umas com as outras, não conseguem se concentrar em outras atividades, não conseguem raciocinar direito nem pensar em alternativas. Aí, me vem uma pergunta um pouco diferente: com tudo isso junto, como alguém conseguiria resolver o que quer que seja?

E aí é que entra o Matt Damon.
Se ele, na situação em que se encontra no filme, fosse usar a estratégia de pensar no pior o que aconteceria? 

Ele optou por usar a estratégia de focar no problema da vez e deixar a cabeça “livre” para pensar em alternativas para aquele problema. E só. Quando a questão se resolvia, usava a mesma estratégia para o próximo problema. E assim por diante.

Qual foi o resultado disso tudo?
Ai, eu não vou contar para não estragar a experiência de quem ainda não viu esse concorrente do Oscar.Mas um resultado eu posso relatar: chegar mais longe do que ele imaginava no momento e construir, gradualmente (bem passo a passo mesmo), as condições necessárias para chegar onde ele queria.


E agora, cabe a pergunta: qual estratégia que você mais usa quando tenho um problema ou uma dificuldade pela frente? Observe-se e perceba se você tende a focar no pior e paralisar ou a colocar a atenção no problema da vez. Ter essa consciência ajudará a perceber se é ou não necessário mudar (para facilitar sua vida, trazer melhores resultados e mais satisfação). Se for o caso de mudar, assistir "Perdido em Marte" pode ser uma forma divertida de observar uma forma nova de encarar as dificuldades e um bom ponto de partida para treinar novas ideias e comportamentos.

Ana Carolina Diethelm Kley
Para me adicionar no Twitter: @AnaDKley

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Vamos falar sobre comportamento estratégico

No post anterior falei sobre vitimização e prometi que apresentaria uma maneira alternativa de encarar as dificuldades da vida. Pois bem! Apresento-lhes o comportamento estratégico!

Oi?

Uma reação estratégica é aquela que se adapta melhor às situações e que, por causa disso, costuma gerar resultados melhores. Acho que ficará mais claro sobre o que estou falando caso eu descreva essa postura, que é composta de alguns comportamentos e formas de pensar bem característicos. Então, vamos lá:

- há a tendência em enxergar o problema ou a dificuldade do tamanho que ela realmente tem (sem tirar "conclusões" terríveis e generalizadas sobre si ou a vida baseadas nisso, ou pensar que aquilo é insuportável)
- essa maneira mais simples e direta ajuda a ser prático e a usar sua energia para resolver o problema (ao invés de ficar pensando um monte de coisas pessimistas e fatalistas, se desanimar e não fazer nada)
- toma-se, como pressuposto, que coisas negativas acontecem com todo mundo (não só com você). É chato, mas não é nada de extraordinário
- outro pressuposto: todo mundo tem dificuldades em uma coisa ou outra (você não é o único).  É chato, mas não é nada de extraordinário
- estabelece-se uma meta em relação ao problema enfrentado e, além disso, se pensa em estratégias/ações para chegar na meta (ao invés de gastar tempo remoendo a situação)
- foca-se no presente (relevante mesmo é o que acontece agora)
- há a tendência em investir o tempo e energia em ações, situações e pessoas que agregam valor e trazem bem estar (ao invés de se fechar e se lamentar)
- há a tendência a não reclamar muito nem perder tempo com o remoer
- há mais otimismo e esperança (por quase não remoer, nem reclamar, mas agir quando necessário)
- uma pessoa que tenha uma postura estratégica costuma atrair os outros para junto de si (é gostoso estar ao lado de gente que faz a vida acontecer e que lida de forma mais pragmática com os problemas)
- tem e continuamente desenvolve o jogo de cintura diante das situações ("pra tudo tem jeito")

Parece muito bom para ser verdade?
Realmente existem pessoas que são assim?

Sim, elas existem. E, de fato, é uma postura bem interessante e que é possível, caso você treine.

No começo pode parecer estranho, afinal, se você tende a se vitimizar, o seu natural será fazer "drama" diante de situações negativas e a postura contrária (que é o simplificar), muitas vezes, pode ser visto como algo superficial. Mas, colocando atenção e sendo persistente na proposta de mudança, qualquer um pode ser diferente e desenvolver um jeito mais prático (e eficaz) de enxergar a vida e de agir.

Ana Carolina Diethelm Kley
Para me adicionar no Twitter: @AnaDKley






quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Vá até o fim

Em 2016, desejo a todos vocês, queridos leitores, muita felicidade, leveza e satisfação

E, para colaborar com isso, resolvi lembrá-los de alguns pontos importantes:
- ter clareza do que você quer é essencial para delinear o caminho (que tal fazer uma lista de metas para direcionar seu ano?)
- agir com foco ajuda a chegar onde você quer

Uma vez que uma meta (ou uma lista) te parecer interessante, ponderar sobre essa proposta ajuda a valorizar a ideia e a aumentar a motivação necessária para que ela saia do papel. Lá vão algumas perguntas úteis neste processo:
- por que fazer isso? por que não fazer?
- Quais são os custos e benefícios de colocar isso em prática?
- Quais são os efeitos desse objetivo a curto, médio e longo prazo?

Se ao responder estas perguntas, a meta pareceu valer a pena e você decidiu que quer ver aquilo concretizado, então, é hora de colocar a mão na massa.

Neste ponto, eu tenho uma proposta: que tal treinar ir até o fim? Em outras palavras: e se, em 2016, um dos seus objetivos fosse terminar tudo aquilo que você se propuser a fazer?

Diante de dificuldades, a tendência a desistir é comum e aparece sob as mais diversas justificativas (fique atento aos seus pensamentos permissivos). E não foi à toa que usei o verbo treinar: é preciso colocar atenção neste aspecto e ficar de olho em qualquer movimento ou demora excessiva que o faria desviar do seu objetivo. Às vezes, será mais fácil ir até o fim; em outras, nem tanto. Mas sempre será possível usar a situação de dificuldade para aprender algo que poderá ser usado numa oportunidade futura. 

E quanto mais você persistir, mais fácil será fazer isso em outras atividades.

Se você se interessou pelo tema, pode ouvir um podcast sobre "acabativa" do Luciano Pires clicando aqui

Boas metas e muita acabativa pra você neste ano novo!

Ana Carolina Diethelm Kley

Para me adicionar no Twitter: @AnaDKley



quinta-feira, 23 de julho de 2015

Detalhismo e o prazer de fazer bem feito

Detalhismo ou preciosismo é o ato de realizar as atividades se prendendo aos detalhes

Isso é um problema?

Por favor, releia a primeira frase e veja se algo soa estranho pra você. 

Então... o verbo "prender" não foi usado à toa neste caso. O que acontece é que a pessoa se foca muito nos detalhes, usando boa parte do seu tempo nisso e, quando percebe, os minutos são escassos, a parte principal da tarefa ainda não foi contemplada e terá que ser vista de forma bem rápida, o que aumenta a possibilidade de erros aparecerem ou do trabalho não ficar bom. Ainda pode acontecer de não dar tempo mesmo de fazer o principal e estourar o prazo, que precisa ser renegociado.

Se isso acontece com frequência, pode afetar negativamente a imagem daquela pessoa que passa a ser vista como alguém que não entrega o que é necessário.

Outras consequências deste comportamento podem ser: aumento da ansiedade e preocupação, desânimo, sensação de que nunca vai conseguir dar conta das coisas e de que é incapaz de  ir até o fim

Bom, agora que já tenha ficado claro que o detalhismo é um problema e tanto

E onde se encaixa o prazer de fazer bem feito (a segunda parte lá do título!)?
Muito bem pensado, caro leitor...

É em nome dele que podemos nos engajar nos detalhes. Pena que este prazer dure pouco (em geral, até que sejamos cobrados pelos resultados ou que percebamos que não temos tempo suficiente para terminar o que é necessário). 

Outra razão pode ser imaginar que este é o melhor jeito de fazer as coisas: o famoso "tudo que tem que ser feito, merece ser bem feito". E que se as tarefas não forem feitas "de forma cuidadosa", o resultado será ruim.

Detalhe significa pormenor, uma particularidade que faz parte do todo, mas é algo que tem valor relativo, pequeno se comparado ao que é o principal.

Exemplo: você precisa entregar um relatório
Principal: conteúdo pedido 
Detalhe: a fonte da letra que você vai usar, a formatação da página, o aprofundamento do conteúdo num nível que não foi pedido mas que, dentro do raciocínio do detalhismo, "deixaria o trabalho muito melhor"

Os detalhes fazem a diferença?
Eu acho que sim, mas só quando não atrapalham a concretização do que precisa, de fato, ser feito.

Ana Carolina Diethelm Kley
anacdkley@hotmail.com
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quinta-feira, 23 de abril de 2015

A casa, a lâmpada e o hábito de trocar de relacionamentos

Não sou especialista em relacionamentos afetivos, mas tenho algum conhecimento a respeito, o suficiente para assinar embaixo da seguinte frase:

"Um relacionamento é como uma casa:
quando queima uma lâmpada,
 você não sai e compra uma casa nova. Você conserta a lâmpada".
(autor desconhecido. Se você souber quem escreveu, por favor, me conte!)


O que tem de tão importante nessa comparação?

Ela mostra, por exemplo, que um relacionamento precisa de manutenção e cuidado constantes, assim como uma casa, para poder oferecer abrigo e aconchego (uma casa não se autolimpa, nem se autoconserta).

Que ambos tem a cara que seus integrantes dão pra eles (por isso, cada casa e cada relacionamento são únicos).

Diz, também, que com o passar do tempo é normal que as coisas se desgastem e precisem ser trocadas (casa) ou que precisem ser conhecidas, revistas e adaptadas (relacionamentos). Afinal,  as pessoas mudam o tempo inteiro e surgem novos gostos, descobertas, desafios.

Outra coisa muito interessante que se pode extrair deste trecho é que é NORMAL precisar fazer ajustes num relacionamento e que essa necessidade mostra que há duas pessoas diferentes (o que eu acabei de escrever é bem redudante, pois, pelo que eu saiba, não existem duas pessoas iguais) se conhecendo e construindo algo juntas. Então, se você está enfrentando algum desafio no seu relacionamento, isso pode ser um bom sinal! Sinal de que querem que a coisa dê certo.

Se ninguém fala nada, se ninguém mostra que não concorda, não gosta, aceita tudo ("Olha só, aquele casal nunca se desentende, que bonitinho! Como eles se dão bem!".... Sei não), talvez a coisa não esteja tão harmônica assim. Talvez, as pessoas não estejam se permitindo expressar seus gostos, limites e preferências e isso, a longo prazo, em geral, resulta em relacionamentos com alto grau de insastifação e submissão.

Isso também não quer dizer que eu acho algo maravilhoso brigar. Aliás, não me refiro a isso neste texto: refiro-me a acordos e ajustes, ao famoso win-win (onde todo mundo ganha).
E por que é necessário se dar ao trabalho de parar e acertar as arestas, de ajeitar o que não está funcionando? Por alguns motivos, dos quais destaco dois:

- porque, provavelmente, a pessoa com a qual você está não lê pensamentos (caso, leia, faço o favor de me apresentar! Gostaria muito de conhecer alguém com este poder) e, por causa disso, não sabe direito o que você quer ou não, quais são seus sonhos e objetivos, o que você prefere e do que você não gosta. Então, se quer se sentir bem, respeitado e satisfeito, diga claramente o que é necessário.

- e porque só existe um lugar no mundo em que os casais não precisam de nenhuma adaptação e seus relacionamentos, desde o momento em que seus olhares se cruzam, já são automaticamente tranquilos e todos se entendem perfeitamente: Holywood.
Se você não vive na terra do cinema e quer ter um relacionamento de verdade com intimadade e aconchego, invista na troca de lâmpadas e outros apetrechos, quando necessário.

Ana Carolina Diethelm Kley
Para me adicionar no Twitter: @AnaDKley


quinta-feira, 16 de abril de 2015

Remoer para não esquecer

Errar não me parece ser uma das atividades preferidas das pessoas, embora todo mundo faça isso de vez em quando. Ter erros é algo frequente porque faz parte do processo de aprender (seja lá o que for).
 
Na realidade, vejo que muitas se incomodam quando isso acontece.
 
E uma estratégia comum para não repetir o mesmo erro é remoer o que aconteceu.
 
Em outras palavras, significa ficar repassando a situação nos seus mínimos detalhes e/ou se criticar por não ter evitado o erro ("como deixei isso passar?!", "eu deveria ter feito diferente!", "isso foi um absurdo!!") e/ou tomar este erro como um sinal que mostra quem você é de verdade ("eu sou um incompetente mesmo, um fracasso", "nunca consigo fazer nada certo", "sou descuidado", "não sirvo pra isso"). Ou tudo isso junto. 
 
Ruminar o erro pode levar minutos, horas, dias, meses ou uma vida inteira.
 
"Se eu esquecer o que aconteceu, vou fazer a mesma coisa de novo"
"É um absurdo ser compreensivo comigo num caso destes! Eu mereço sofrer pelo que aconteceu"
 
Ideias como essas também ajudam a sustentar o ato de remoer. E, embora possa ser silencioso (muitos não externalizam esses pensamentos), ele é muito danoso emocionalmente por colocar a pessoa  num ciclo de crítica feroz, autodepreciação, desmotivação e apatia. E, num estado desse, é difícil aprender alguma coisa e agir diferente, você não acha?
 
Então, se você tem esta tendência, eu sugiro que pare pra pensar nos efeitos disso. Será que é realmente esse chicoteamento mental que te leva a não persistir no mesmo erro?
 
Errar só diz que você não sabe alguma coisa.
 
Então, simplifique:  analise a situação e o erro,  tire um aprendizado a partir dessa avaliação concreta e se programe para usar este conhecimento numa próxima situação. Ponto. Acabou.
 
Pode ser perda de tempo e de energia ficar repassando o erro, principalmente se você não costuma ter um problema de memória.
 
Além disso, se torturar menos pode te dar mais disposição para processar melhor o aprendizado.
 
E quanto a precisar sofrer porque errou.... É como castigar o aluno por não saber a matéria que ele ainda não teve. Parece crueldade , desrepeito, sadismo, negação da realidade e nada disso tem a ver com aprendizagem.
 
Ana Carolina Diethelm Kley
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quinta-feira, 16 de outubro de 2014

A arte de colocar limites

Este título não é à toa.

Colocar limites é uma habilidade, algo que precisa de treino para melhorar e ser efetivo. Então, a primeira coisa a pensar é: para saber como colocar limites é preciso se arriscar a fazê-lo. Para facilitar sua vida, no post anterior, sugeri algumas reflexões que podem deixar um pouco mais leve este ato.
 
Meu intuito, hoje, é dar sugestões que possam colaborar com este treino.
 
Muitas vezes, as pessoas dizem o que incomodam quando já não aguentam mais, ou seja, elas explodem, somando raiva e agressividade às palavras que comunicam seus limites e necessidades. E qual é o resultado disso? Podem ser alguns; um deles (o mais comum) é obter mais agressividade, ao invés de acolhimento e respeito.
 
É preciso tomar cuidado não só com as palavras utilizadas, mas também com o tom impresso nelas, pois ele também passa uma mensagem importante. O tom pode fazer com que a mesma transmita ideias totalmente diferentes. Agora, use sua imaginação e leia o que vem a seguir de acordo com as entonações sugeridas:
 
"Você quer ajuda?" (tom neutro)
"Você quer ajuda?" (tom irônico)
 
A mensagem foi a mesma pra você?
Pra mim, não. A segunda soou bem pouco generosa.
 
 
Então, o primeiro passo é perceber o tom e modificá-lo. Se ajudar, treine em voz alta antes de falar com a pessoa. Você pode até gravar  e ouvir, caso queira. Se percebeu que as palavras ou o tom estão transmitindo agressividade, raiva ou ironia, tente outros.
 
Pensar em como você aconselharia um amigo que passasse pela mesma situação também pode te ajudar. O que você o instruiria a dizer? Você poderia usar o mesmo roteiro?
 
Outra coisa: comece seu treinamento falando o que precisa para pessoas com as quais se sente mais à vontade e utilize situações corriqueiras, como: "Hoje, estou cansada e prefiro não sair" ou "prefiro comer neste restaurante ao invés daquele. Você gostaria de vir comigo?". Aí, conforme você for se sentido mais confortável, pode fazer isso com aqueles que tem mais receio.
 
Há uma maneira de se colocar que também pode ajudar: muitas vezes, pessoas que se importam conosco não percebem que ficamos chateados com algo que fizeram e,  informar o que aconteceu, sem "apontar o dedo" para o outro, costuma ajudar, por ser um jeito mais palatável para o outro, que tem a oportunidade de conhecer você melhor e se corrigir, caso necessário.
 
Nada como exemplos... Então, vamos a eles.
 
Apontar o erro/ criticar
(tom irritado)
Forma alternativa
(tom neutro)
 
“É um absurdo você não me ligar”
“Você podia me ligar mais vezes”
“ Você deveria ter me ligado”
 
 
"quando você não me ligou naquele dia, eu me senti triste porque pensei que você não gostava mais de mim"
 
 
“Você tem que fazer as coisas que eu peço”
“Você deveria ter feito aquilo”
"você não pode deixar de fazer o que eu peço"
 
 
"quando você não fez o que eu pedi, eu fiquei irritado porque pensei que você não tinha me respeitado e não se importava comigo"
 
Agora, é hora de colocar a mão na massa. Eu sei que pode ser trabalhoso mas, durante o processo, seja gentil com você mesmo, pois qualquer treinamento envolve acertos e erros. Aprenda com seus erros e siga adiante.
 
Ana Carolina Diethelm Kley
Para me adicionar no Twitter: @AnaDKley
 
 
 
 
 




quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Colocar limites nos outros: desafio, investimento ou o que?

Colocar limites  é algo que costuma incomodar muita gente.
 
As pessoas até sabem o que querem e o que não querem mas, na hora de colocar isso para o outro,  as palavras somem. Então, pode não ser a ignorância da nossa vontade que nos impede de falar "não".
 
"Mas será que o outro não sabe que o que ele fala ou faz não é legal? É tão óbvio!!"
Então... pode ser óbvio pra você, mas o outro pode não perceber, ou não concordar, ou interpretar a situação toda de um jeito que você nem imagina. E tem gente que até sabe mesmo que não é legal, mas não se incomoda com isso.
 
Sendo assim, o que fazer?
 
Informe você até onde ele pode ir. Parece simples, né?
Mas pode não ser e alguns destes motivos são nossos receios a respeito do que pode acontecer, caso façamos isso, e/ou não saber como falar.
 
"E se o outro ficar chateado/magoado/irritado comigo?"
"E se ele se distanciar? E se ele fizer um escandâlo? E se brigarmos?"
 
Estes são alguns exemplos de receios muito comuns nesta situação. E esses medos nos dizem que coisas ruins podem acontecer, nosso relacionamento com aquela pessoa pode ser prejudicado, ela pode deixar de gostar da gente, etc, etc, etc.  E, aí, mais uma vez, engole-se um sapo e a situação permanece a mesma. Ou não. Afinal, com cada sapo engolido vai junto a ideia de que nossas necessidades, desejos, limites não foram respeitados e isso vai se acumulando, acumulando, acumulando até explodir. Às vezes, literalmente.
 
E para onde vai aquela relação com a qual nos preocupamos tanto (a ponto de nos anularmos)? Boa pergunta... O que eu sei é que, em geral, uma relação onde os limites não são explicitados (quando necessário) e respeitados costuma perder o brilho, a graça e começa a ficar enfadonha, aversiva, chata.
 
Se você costuma se preocupar com a possibilidade do outro deixar de gostar de você, e daí sua reação de "evitar que ele se aborreça" (isso, na realidade, é uma hipótese), vale a pena considerar, também, a possibilidade de que você comece a gostar menos dele(a) por não se sentir respeitado.
 
Neste caso, pode ocorrer uma injustiça, uma vez que o outro pode não ter ideia de que o estava desrepeitando, magoando ou machucando de alguma maneira. Você pode nem ter dado a chance dele te respeitar. E assim, vão se acabando muitas relações pelo caminho. As pessoas se cansam uma das outras por querer evitar aborrecimentos, e acabam também perdendo a oportunidade de existirem, tal como são, e aprender e crescer com isso. Uma pena.
 
Então, se você preza pela relação que tem com as pessoas, pense com carinho na importância que colocar limites tem a médio e longo prazo.
 
E também tem outra reflexão: quantas vezes você deixou de gostar de alguém porque essa pessoa disse um "não" pra você? Será tão terrível assim? Você gostaria de ter alguém do seu lado que não te respeita? Se sim, por que ou para que?
 
No próximo post, falarei sobre algumas maneiras de colocar limites. Enquanto ele não chega, espero que refletir sobre estas questões possa ajudá-lo a ver o ato de colocar limites como um investimento: você corre riscos (que podem ser calculados), mas pode valer muito a pena.
 
Ana Carolina Diethelm Kley
Para me adicionar no Twitter: @AnaDKley

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Como lidar com gente dissimulada?

Boa pergunta! (Obrigada, leitor/a, pela sugestão)
 
Primeiro, é preciso definir o que é gente dissimulada.
No meu ponto de vista, são pessoas nas quais não se pode confiar muito, pois aparentam algo que não são ou, ainda, se comportam de uma maneira na frente dos outros e de outra pelas costas. Podem,  também, ser classificadas como falsas.
As pessoas que tem essas características, às vezes, são muito boas no que fazem e pode ser difícil perceber a incoerência entre o que falam e como se comportam, o que acaba vindo à tona mais dia menos dia. E não raro ficamos abismados quando a ficha cai, achando um absurdo que alguém seja assim ou nos chocando por algo tão diferente de nós. É neste momento que aparecem a raiva e os nossos "deverias".
Mas o fato é que a primeira maneira de lidar com elas é perceber como elas são e, para isso, nada como observar o que acontece, sem se iludir (cuidado com o otimismo sonhador!).                                                
Uma vez que você notou essa diferença, está nas suas mãos interagir ou não com estas pessoas. Se você não tem essa escolha, seja realista a respeito do que você pode ou não esperar e aja de acordo, proteja-se (ou seja, não espere mais delas do que elas tem condições de te dar, tenha cuidado com o que você fala ou faz, pois isso pode ser usado contra você).
O mundo é feito de diferenças e diferentes. Alguns servem de exemplo do que fazer e de como ser, enquanto outros nos mostram quem não queremos ser. A nós, cabe novamente, a escolha: aprender com esta experiência, ficar indignado com a maneira deles serem, bater de frente, remoer a situação, ignorá-los, conviver com outras pessoas, entre tantas outras. Cada uma tem suas vantagens e desvantagens: avalie qual é a opção mais vantajosa pra você (que talvez não seja a perfeita).
Ao lado dessas pessoas, podemos sofrer de comparacite, o que faz com que nossa autoestima seja atingida. Neste caso, um dos caminhos é ficar atento aos pensamentos e conclusões a nosso respeito. Não temos controle sobre como os outros são, mas temos sobre como nos sentimos, afinal, nossa mente, quando treinada, pode vencer o humor.
 
Ana Carolina Diethelm Kley
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quinta-feira, 14 de agosto de 2014

"O ótimo é inimigo do bom"

Estava conversando com meu pai sobre essa ideia e pensei: "hum, isso daria um post!" E aqui estou!
 
O principal motivo que me fez pensar assim é o fato de ser muito comum ver pessoas querendo alcançar o ótimo e, por causa dessa busca "justificada", acabarem não apostando em tentativas, gastando muito tempo com planejamento e preparo, procrastinando tarefas e, enfim, deixando a vida (e as oportunidades) passarem.
 
Ao invés de investir (tempo, dinheiro, atenção, ou seja mais lá o que for) no que já está bom, acabam postergando a ação para encontrar algo "melhor ainda".
 
Só que, às vezes, o melhor não existe, porque será o resultado da evolução do que já está bom.
 
Ou, então, o bom pode ser o melhor que há, só que não conseguimos enxergar isso porque, afinal, o ideal (que está na nossa cabeça) nunca será páreo para o real, com todas as suas imperfeições. Então, temos a inércia, a estagnação, só que bem explicadas.
 
Triste pensar em quantas oportunidades e potenciais podem ter se perdido por causa disso, sem que a pessoa se dê conta. Quem está de fora, geralmente, tem essa percepção com mais facilidade.
 
Será que ser perfeccionista vale tanto a pena assim?
 
Uma coisa é certa: preparo é importante, mas preparo sem ação fica sem significado, sem motivo de ser.
 
Minha sugestão de hoje é que você reflita um pouco sobre as coisas tem procrastinado: já há o preparo suficiente? Elas já estão boas para que você comece a agir? Sente-se inseguro para agir? Então, vá devagar, mas vá!
 
Ana Carolina Diethelm Kley
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