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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Improdutividade e a voz do perfeccionismo: nem tudo é tão definitivo quanto parece

Caros leitores, aqui estou com mais um caso pessoal para compartilhar.

Foi um fato "simples", mas do qual tirei alguns aprendizados que podem ser úteis para pessoas que ficam desanimadas e/ou desesperançadas com alguma frequência.

Mas vamos ao que aconteceu:
há momentos da minha semana que são reservados para estudar, ler ou fazer quaisquer outras coisas necessárias relativas ao trabalho (fora os atendimentos) e houve um dia em que eu me senti com muito sono, absolutamente improdutiva em um destes períodos (não tinha energia nem para formular uma frase direito) por uma série de motivos. Tentei começar várias coisas e nada ia pra frente.

Aí, decidi parar de me forçar e fui fazer outra coisa (no caso, fui ver um filme). 

Até aí, você, que está de fora, pode olhar meu relato e me perguntar: "mas o que tem demais nisso tudo, Ana?"

Se você não é uma pessoa perfeccionista, poderá achar o que aconteceu normal. Porém, se você tende a se cobrar muito pode ter uma ideia do que passou pela minha cabeça (sim, eu sou/era/estou tentando deixar de ser muito perfeccionista). 

Veja a imagem e leia as frase abaixo (foi mais ou menos assim...):

- que absurdo você ver um filme/descansar quando você deveria estudar!
- onde é que isso vai parar?!

- que absurdo você estar neste nível de cansaço!

- desse jeito, não vai mais aguentar trabalhar. Você não tem condições de aguentar esse ritmo. Deveria desistir, então, Deveria deixar tudo de lado e fazer algo mais tranquilo, que te exigisse menos. 
- se você não aguenta um dia, então, não vai dar conta do que tem pra fazer pela frente.
- se você está assim agora, como vai querer mais responsabilidades? Como poderá ajudar pessoas?
- Desista! Você não foi feita pra isso.

Cruel, não? 
Eu acho! Por isso, depois de muito treinar, estou conseguindo não dar tantos ouvidos a tamanho exagero. 

Você conseguiu identificar onde está o exagero nessa forma de enxergar as coisas?
Se não conseguiu, vou deixá-lo mais claro. Vamos lá:

1) Se eu fui improdutiva um dia, sempre serei.
(o mais realista é ver que esse nível de cansaço aconteceu naquele dia, que eu tenho o poder de me recuperar e me adaptar às situações e/ou, se eu realmente achar que as coisas estão pesadas, ainda posso pensar num plano de ação para modificar isso)

2) Eu não deveria ficar tão cansada nunca e/ou sempre deveria ser produtiva.
(nenhum ser humano consegue ter a produtividade de uma máquina. Aliás, as máquinas, em geral, também precisam de um período de recesso. Sendo assim, é irreal esperar produtividade máxima de forma eterna. É preciso alocar tempo e energia para se cuidar, e isso pode dizer colocar o tempo em atividades de lazer ou mesmo dormir)

3) Se estou assim cansada, não conseguirei lidar com mais responsabilidades.
(O perfeccionismo tem mania de insinuar que as coisas que fazemos agora são preditores fiéis do futuro: se eu não sei lidar com  minhas responsabilidades agora, não terei como dar conta de outras no futuro. Ora, porque eu precisei descansar um dia, isso não quer dizer que eu deixei de ser responsável. Ninguém foi prejudicado por causa disso. As pessoas não precisam ser perfeitas para lidarem com suas tarefas, para bancarem suas vidas. Elas simplesmente fazem isso do melhor jeito que podem e as coisas acontecem).

4) Ou faz a coisa direito sempre ou é melhor nem fazer.
(Ai, esse "tudo ou nada".... depois de descansar a cabeça, consegui retomar meu trabalho melhor. As ações feitas tem sua importância relativa e, enxergar essa validade, ajuda a responder ao tudo ou nada: qualquer auxílio que eu prover, por mais que possa não revolucionar a vida de alguém, é útil para aquele que o recebe. Inútil mesmo é seguir essa voz, ficar desanimada e desperdiçar oportunidades. Se eu não for capaz de fazer algo hoje, serei amanhã, ou depois. Aliás, nesse momento, ajuda lembrar das coisas boas e úteis que já se fez em outros momentos da vida, mostrando que você é um ser capaz, mas que tem momentos de improdutividade, como todas as pessoas).

Esse foi mais um post para falar do perfeccionismo e do tudo ou nada, além de mostrar formas alternativas (e realistas) de pensar. Se me ajudou a ser mais compreensiva comigo, pode ajudá-lo também, caro leitor. É uma questão de treino.

obs.: a foto acima é do filme Whiplash, uma excelente inspiração para falar sobre rigidez, excesso de exigências e outros temas. Aguardem...

Ana Carolina Diethelm Kley
anacdkley@hotmail.com
Para me adicionar no Twitter: @AnaDKley

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Por que focar o negativo é tão importante?

Focar no negativo é um hábito e aparece em várias situações: 

- as notícias que mais aparecem nos jornais (e que dão mais audiência) são aquelas que tem relação com coisas ruins; 
- numa rodinha em que estão falando de alguém, é comum focar nos pontos "fracos" do outro (felizmente, há exceções!); 
- quando avaliamos nosso desempenho, o usual é colocar a atenção no que não está tão bom,  no erro, no que "deveria ser melhor" (ou, em outras palavras: no que falta); 
- quando nos preocupamos com uma situação, tendemos a pensar em tudo o que pode dar errado (às vezes, nem lembramos que existe a possibilidade de dar certo).

Resolvi escrever sobre isso por perceber, em mim e nos outros, o estrago que esse hábito provoca. 

É como se o aspecto negativo da situação tivesse mais importância que o positivo. 
É como se o negativo quisesse realmente dizer algo relevante sobre nós, sobre a situação ou sobre o futuro, enquanto o positivo não passasse de acaso ou sorte. 
É como se tudo o que é negativo fosse um sinal de alerta importantíssimo, e não pudéssemos, de jeito nenhum, contar com a presença e a proteção do positivo.

Até acredito que essa maneira de pensar possa ter sido uma ferramenta de sobrevivência em alguma parte da evolução da humanidade. Mas será que ainda é? Desse jeito maciço que se apresenta hoje em dia?

Acredito que perdemos muito ao não enxergar o positivo com o peso que ele realmente tem:
- "pequenas" conquistas diárias como prova de capacidade, adaptação, inteligência 
- "pequenas" demonstrações como prova de que somos queridos, lembrados e que se importam conosco 
- tentativas como meios de aprendizado e que, de qualquer maneira, também são provas de inteligência, persistência e habilidade
- tudo o que conseguimos fazer como algo a mais do que era/estava

O erro cognitivo (como chamamos dentro da Terapia Cognitiva) do foco no negativo é um hábito que pode predispor as pessoas, no mínimo, à depreciação (de si e do outro), à ideia de insuficiência e de desamparo, além de, em casos mais extremos,  à depressão e ao excesso de ansiedade.

Você já parou para perceber se faz isso (principalmente com você mesmo)?

O primeiro passo para mudar é se dar conta de que você tem esse hábito mental, das situações em que ele aparece, o que você pensa e o que acaba fazendo. Para ajudar nessa percepção, sugiro um aplicativo chamado Cogni.

Lá vão os links com mais informações sobre como ele funciona:

Quando perceber que ficou desanimado (um dos sinais mais frequentes do foco excessivo no negativo), você pega o celular, abre o aplicativo e anota as informações que ele pedir. Ao longo de uma semana, você terá um histórico que poderá acessar também pelo e-mail. 

Com esse histórico, pode ficar mais fácil perceber a presença do hábito e, com a prática de questionar suas conclusões, mudá-lo. 

Ana Carolina Diethelm Kley
anacdkley@hotmail.com
Para me adicionar no Twitter: @AnaDKley














quinta-feira, 21 de maio de 2015

Como melhorar sua comunicação ou o caso da Radial Leste

Aqui em São Paulo, temos várias avenidas importantes e grandes, algumas com três ou quatro pistas em cada uma das direções. Este é o caso da Radial Leste que, de tão larga, muitas vezes tem um canteiro central separando as faixas que vão daquelas que voltam. E, por causa disso, você só consegue cruzar de um lado para o outro em alguns trechos.

Mas por que estou falando tudo isso se este é um blog de psicologia e não de tráfego urbano?
Só para mostrar uma situação que exemplifica como podemos ter certeza absoluta de que estamos sendo claros, quando, na verdade, não estamos.

Vamos ao caso!

Fui para a região do Tatuapé (onde fica a Radial Leste) e, como não sei me localizar muito bem por lá, resolvi pedir informações a uma pessoa. Estava numa rua transversal à Radial, a um quarteirão dela, e conseguia vê-la, mas não enxergava um ponto em que não houvesse canteiro central, algum cruzamento para seguir.

Cheguei e falei: 
"Moço, por favor, você poderia me dar uma informação? 
Eu preciso cruzar a Radial e pegar o sentido oposto, quero ir para o centro. Qual rua transversal eu pego?" 

Ele me olhou, parou um pouco e perguntou: "Você quer ir até Radial do outro lado?"
"Sim! Qual rua eu pego?" (repeti a pergunta, achei que ele não tivesse entendido)

"É só você ir reto nessa rua mesmo"

Eu olhei de novo para a Radial, não tinha cruzamento, eu não podia atravessar. Pensei de novo: ele não está me entendo. Pensei até em perguntar para outra pessoa, mas resolvi insistir e disse "Não, aqui não tem como eu passar para o outro lado. Preciso saber onde tem um cruzamento".

Aí, ele falou: "mas você está a pé, não precisa de cruzamento para atravessar".

Momento de surpresa (e de revelação): eu estava a pé naquele momento mas, de verdade, estava com o carro estacionado por ali e ele não tinha como saber disso. Lógico!! Como ele ia adivinhar que eu, uma pedestre que parou para perguntar simplesmente "como eu posso chegar" estaria de carro? E não sei porque, pra mim, essa era uma informação óbvia, daí eu ter pensado que o problema era ele ou a maneira como ele não estava me entendendo quando, na verdade, eu não estava sendo tão clara quanto achava. "Só" deixei de mencionar um detalhe que mudaria todo o rumo da conversa. Ah, telepatia...

Resultado: disse que estava de carro, obtive a informação sobre o cruzamento mais próximo e pedi desculpas pela confusão, afinal, por mais prestativo que ele fosse, não tinha como ler pensamentos. 

Essa situação simples me chamou a atenção porque eu tinha CERTEZA ABSOLUTA que estava fazendo o meu papel para que nossa comunicação fosse tranquila e clara. E essa convicção me fez cogitar que o problema fosse com o outro. Se eu insistisse nessa forma de pensar, não teria obtido a informação necessária, talvez ficasse pensando que o moço tivesse problemas de comunicação (ele, né?!), poderia ficar irritada e, pior ainda, deixá-lo se sentindo inadequado. 

Aprendi com isso que talvez seja interessante, caso me veja numa situação em que a comunicação pareça um pouco truncada, me perguntar se eu realmente explicitei todas as informações necessárias, antes de "concluir" que o problema é do outro.

Confesso que adoro a possibilidade que todos temos de aprender através de situações corriqueiras e usar essa informação em outras mais complexas. Tão mais prático, não?

Ana Carolina Diethelm Kley
anacdkley@hotmail.com
Para me adicionar no Twitter: @AnaDKley



quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Tudo depende do que você "ouve" ou O caso da cafetereira

Outro dia, meu marido quis tomar café e foi até a cozinha.
 
Enquanto isso, fiquei na sala vendo TV. Aí, ele começou a demorar e eu perguntei se estava tudo bem. Um sonoro "sim" veio de lá. Mais tempo se passou e comecei a ouvir um som esquisito que vinha da cafeteira. Não aguentei: "você quer ajuda?". "Não, a cafetereira tá com um problema, mas vou dar um jeito", respondeu ele. Aí, como eu via que o barulho continuava, perguntei pela segunda vez se ele queria ajuda, toda solícita. Dessa vez, o "não" veio mais forte, com um tom levemente mais grave, o suficiente para eu perceber que ele estava um pouco irritado.
 
Enfim, o café saiu, meu marido voltou para a sala e me encontrou tranquila, assistindo a um filme.
 
Fim.
 
Na realidade, não foi o fim. Algum tempo depois, ele me pediu para não fazer mais aquilo.
 
"Aquilo" era ficar oferecendo ajuda numa coisa que ele estava dando um jeito, pois passava a imagem de que ele não era capaz de mexer em algo tão simples quanto uma cafeteira sozinho. O pedido de ajuda foi visto como algo ofensivo.
 
E por que resolvi escrever sobre isso aqui no blog? Porque este é um excelente exemplo de como o que sentimos depende da maneira como interpretamos o que acontece (tem a ver com nossos pensamentos), e não da situação em si.
 
Afinal, eu só ofereci ajuda porque, para mim, essa é uma maneira de mostrar cuidado e carinho, de dizer que ele poderia contar comigo até para as coisas mais simples. Lindo, não é? Depende. Depende se quem recebe aquele ato interpreta assim também.  
 
E eu percebi, neste dia, que meu marido tem outro dicionário. Achei essa experiência ótima e, desde então, só o ajudo quando ele pede. Descaso? Não! Respeito pela maneira dele pensar e ser. Afinal, isso também é gostar, não é? 
 
Além disso, neste caso, podemos enxergar a tal da telepatia. Onde? Eu pressupus que essa minha atitude significaria para ele o mesmo que pra mim. Ledo engano... Uma ideia muito comum é de que "quanto mais intimidade, menos novidade", como se não fosse possível nos surpreender com aqueles que são mais próximos. Mas é aí que mora o perigo, porque não nos abrimos para enxergar (ouvir!) além e entramos no automático.
 
Na hora, me senti um pouco incompreendida. Depois, pensei melhor e vi que, na realidade, só precisava ajustar os "idiomas".  Da mesma maneira como essa experiência foi útil pra mim (o casamento agradece!), espero que ela seja útil para você também, caro leitor.
 
Até o próximo post ou, quem sabe, próximo causo.
 
Ana Carolina Diethelm Kley
Para me adicionar no Twitter: @AnaDKley
 

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Raciocínio emocional e o caso da viagem

Às vezes, podemos ser tomados pela ideia de que as coisas não vão dar certo ou de que coisas ruins vão acontecer, porque nos sentimos mal agora. Nestes casos, usamos nossas emoções e sensações físicas para guiar nossa percepção a respeito do nosso futuro: se eu me sinto ansioso é porque algo ruim vai acontecer. Isso é chamado "raciocínio emocional".

Para avaliar o quanto essa ideia é real,  é preciso verificar os fatos: quantas vezes você se sentiu desconfortável (física ou emocionalmente) e quantas vezes coisas terríveis aconteceram? Se a resposta for "sempre", acredito que possamos dizer que suas sensações podem ser um indício confiável de que as coisas não vão dar certo (tão certo quanto alguém que tem intolerância à gluten e come pão, se sentirá mal depois); mas se você respondeu "algumas  ou poucas vezes", talvez seus sentimentos e sensações não sejam bons indicadores neste sentido.

Eu diria mais até: pensar que as coisas podem dar errado produz ansiedade, portanto, pode ser o receio de que algo ruim aconteça que deixa você se sentindo mal, e não algum tipo de premonição. O incômodo emocional ou físico, neste caso, é efeito e não causa ou alarme.

E porque resolvi falar sobre isso? Porque eu percebi isso acontecendo comigo!
 
Era sexta-feira e eu estava me sentindo meio estranha. Comecei a perceber pensamentos negativos sobre uma viagem que faria no dia seguinte ("ai, acho que a viagem não será boa...") que me deixaram um pouco desmotivada a ir.
 
Ao mesmo tempo, estava estudando, acabei lendo algo sobre "raciocínio emocional" e tive um "clique": "será que estou usando o raciocínio emocional e por isso estou desanimada com a viagem?" 
 
Para responder a pergunta, decidi investigar quais os fatos que me ajudavam a achar que minha viagem não seria boa. E sabe qual o único que eu achei?  Porque não estava me sentindo bem (disposta, alegre, empolgada) naquele momento.
 
Aí, fiz algo que mudou o resto da minha noite: normalizei minha sensação (Eita! Do que você está falando, Ana?). Normalizar é o mesmo que verificar se o que estou sentindo pode ser explicado por condições normais, se é algo comum de acontecer naquele contexto. E eu vi que era. Olha só o que eu disse pra mim:
 
"Ana, é sexta à noite, hoje o dia foi cheio e corrido, a semana foi cheia, estou bem cansada e minha bateria já está acabando. É NORMAL que eu não me sinta 100% agora, cheia de energia"
 
Pensar dese jeito me deixou mais calma e, "automaticamente" a ideia de que a viagem seria ruim foi embora, porque eu percebi que minha sensação não tinha nenhuma ligação com o que aconteceria no dia seguinte (nunca percebi em mim dons como os da mãe Dinah, porque os desenvolveria hoje?), mas tinha com o que havia acontecido a semana inteira...
 
E só pra reforçar essa minha conclusão, quero que saibam que a viagem foi ótima! Fiz um curso maravilhoso, aprendi pra caramba e ainda me diverti. Então, meu pensamento, realmente, não era um presságio, era só um pensamento distorcido pelo raciocínio emocional.
 
Não creio que todas as vezes que temos pensamentos ansiosos ou desanimadores isso aconteça devido à presença do raciocínio emocional, mas não custa verificar, não é?
 
Ana Carolina Diethelm Kley
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quinta-feira, 14 de agosto de 2014

"O ótimo é inimigo do bom"

Estava conversando com meu pai sobre essa ideia e pensei: "hum, isso daria um post!" E aqui estou!
 
O principal motivo que me fez pensar assim é o fato de ser muito comum ver pessoas querendo alcançar o ótimo e, por causa dessa busca "justificada", acabarem não apostando em tentativas, gastando muito tempo com planejamento e preparo, procrastinando tarefas e, enfim, deixando a vida (e as oportunidades) passarem.
 
Ao invés de investir (tempo, dinheiro, atenção, ou seja mais lá o que for) no que já está bom, acabam postergando a ação para encontrar algo "melhor ainda".
 
Só que, às vezes, o melhor não existe, porque será o resultado da evolução do que já está bom.
 
Ou, então, o bom pode ser o melhor que há, só que não conseguimos enxergar isso porque, afinal, o ideal (que está na nossa cabeça) nunca será páreo para o real, com todas as suas imperfeições. Então, temos a inércia, a estagnação, só que bem explicadas.
 
Triste pensar em quantas oportunidades e potenciais podem ter se perdido por causa disso, sem que a pessoa se dê conta. Quem está de fora, geralmente, tem essa percepção com mais facilidade.
 
Será que ser perfeccionista vale tanto a pena assim?
 
Uma coisa é certa: preparo é importante, mas preparo sem ação fica sem significado, sem motivo de ser.
 
Minha sugestão de hoje é que você reflita um pouco sobre as coisas tem procrastinado: já há o preparo suficiente? Elas já estão boas para que você comece a agir? Sente-se inseguro para agir? Então, vá devagar, mas vá!
 
Ana Carolina Diethelm Kley
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quinta-feira, 10 de abril de 2014

Esse vídeo pode mudar sua vida

Esse título bem sensacionalista não é à toa. O vídeo abaixo fala sobre um dos conceitos mais importantes da Terapia Cognitiva: os pensamentos automáticos negativos (e como eles afetam suas emoções e comportamentos).

Além disso, fala também de alguns erros cognitivos (ou vícios mentais) como o catastrofismo e a generalização.

Enfim, esse vídeo pode fazer uma grande diferença na sua vida. Ou pode não passar de mais um vídeo legal que você acabou assistindo. Vai depender do quanto decidir praticar o que ele diz (treino é algo que faz toda a diferença nos resultados!). Dúvidas são normais e, para amenizá-las, você também pode dar uma olhada em exemplos de análise neste ou naquele post.

Mas, enfim, espero que você goste e, principalmente, utilize este conhecimento.

Eu uso sempre que possível e isso faz uma baita diferença na minha vida (e na minha felicidade, produtividade, autoestima, autoconfiança, motivação, esperança ...)



Obs.1: se o vídeo não aparecer pra você, acesse este link: https://www.youtube.com/watch?v=54TPl_63DfI


Obs.2: muito obrigada à psicóloga Nivea Melo que teve o cuidado e a disposição de legendar este vídeo da WellCast
Ana Carolina Diethelm Kley
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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Mau humor e sono x produtividade

Hoje, aconteceu uma coisa comigo que achei útil compartilhar.
 
Alguns pacientes desmarcaram e acabei ficando com uma janela de tempo. Só que estava com muito sono e um pouco de mau humor. Aí, comecei a fazer algumas coisas para ver se me animava.
 
Que tipo de coisas você começou a fazer, Ana? As mais improdutivas possíveis: facebook, you tube, entre outros. Com o tempo passando e eu não me animando (aliás, muito pelo contrário, fui ficando cada vez pior), resolvi fazer algo mais produtivo: uma limpeza nos arquivos do meu computador.
 
Resultado: acabei apagando o que não deveria e, além de mau humor, fiquei sem o computador que vai precisar visitar um especialista.
 
Ai, ai...
 
O que eu aprendi com isso?
 
Se estiver com sono e mau humor, tenho duas opções: ou vou descansar (se possível) ou faço as coisas que preciso, mesmo sem a mesma disposição, vontade ou rendimento ideal.
 
Mas porque eu não me permiti descansar? Não conseguiria dormir (não daria tempo de voltar pra casa), mas conseguiria fazer um exercício de relaxamento (o que já ajudaria muito!). Não o fiz porque parecia perda de tempo, porque eu achava que fazendo outras coisas, eu me animaria (ilusão!) e porque é difícil ter que admitir que é necessário descansar e não ser 100% o tempo todo.
 
E porque eu não me permiti fazer outras coisas mais úteis? Porque eu não estava com vontade de fazer (e desde quando é preciso ter vontade pra começar a fazer alguma coisa?) e porque não sairia do jeito que eu gostaria.
 
Ah, esse perfeccionismo me mata...
 
Aliás, não só o perfeccionismo, mas a generalização também (sabe aquele pensamento "eu faço tudo errado"? Então, foi ele mesmo que me deixou bem desanimada).
 
Uma vez percebidos estes dois vícios mentais, é hora de revertê-los. Como? Questionando estas ideias: eu tenho mesmo que fazer tudo perfeitamente? Por que? É isso o que eu diria para uma amiga se ela passasse pela mesma situação? Verifique alguma das coisas que você fez no dia foi útil/produtiva/certa.
 
Ou você pode conversar com amigos e refletir sobre os conselhos que eles podem dar (fiz isso e foi ótimo!).
 
Ana Carolina Diethelm Kley
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quarta-feira, 3 de julho de 2013

A responsabilidade é toda minha

"Eu sou o errado"
"Nada do que eu faço, dá certo"
"Se isso não deu certo, foi só por minha causa"
"Tudo o que eu coloco a mão, desanda"
 
Estes pensamentos são comuns em pessoas que tendem a puxar a responsabilidade (do que deu errado) pra si. E fiz questão de colocar estes parênteses porque há outro hábito que costuma aparecer junto com este: diante do que dá certo, atribuir isso à sorte, a algum tipo de facilidade ou ao grupo; ou seja, o resultado, quando é positivo, não é explicado como algo que apareceu por capacidade ou competência.
 
Sendo assim, olhe só o que temos:
- diante de resultados negativos: "eu sou o principal responsável"
- diante de resultados positivos: "eu dei sorte", "tava fácil", "só consegui porque algumas pessoas me ajudaram", "qualquer um teria feito isso".
 
Pensando deste jeito, quando será possível enxergar o seu valor?
Com estes hábitos mentais, que exageram o negativo e desqualificam o positivo, a resposta mais provável é "nunca".
 
Então, se você quiser ter uma autoestima melhor ou confiar mais em você, um bom caminho, talvez, seja começar a treinar outra forma de valorizar o que acontece.
 
Aqui, há um exemplo de como dividir responsabilidades.
Mais reflexões sobre como valorizar seus resultados e quem você é estão aqui e aqui.
 
Os resultados começarão a aparecer a partir do momento em que você perceber o hábito antigo, treinar uma nova forma de enxergar e, gradualmente, se acostumar a ver de outro jeito. De acordo com os estágios da mudança.
 
Ana Carolina Diethelm Kley
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quarta-feira, 26 de junho de 2013

Ou você é um sucesso, ou é um fracasso total

É como se existisse um mundo paralelo no qual apenas dois extremos tivessem lugar: ou sucesso ou fracasso (ou preto ou branco). Nada entre os dois.

Neste outro universo, as coisas são muito simples: se você conseguiu bons resultados, é vencedor. Se, no final das contas, não chegou onde esperava, é um fracasso.

Não existe relativização, não existem atenuantes, não há espaço para meio termo.

Este mundo extremista existe, emocionalmente, mas não na prática. Ele pode até estar presente na maneira de enxergar de muitas pessoas, mas ele não é tão real quanto parece.

Olhemos para a habilidade de dirigir. A coisa parece ser simples: se você dirige, é um sucesso; se não consegue dirigir, é um fracassado. Mas existe um outro lado, afinal, estamos diante de algo que pode evoluir com o treino, que não é definitivo. Então, como podemos usar resultados como parâmetro pra indicar algo tão absoluto sobre alguém? Acho até razoável dizer: "aquela pessoa não é uma boa motorista" ou, então, "fulano precisa treinar mais",mas falar "você é um perdedor por não não conseguir dirigir com tranquilidade", aí é demais!

Então, antes de se rotular como alguém fracassado, que nunca vai chegar onde quer, é válido verificar se, para chegar nesta conclusão, está se baseando nos resultados de alguma habilidade. E, se estiver (o que é bem provável), você pode se perguntar: quero me desenvolver mais nisso? Quanto mais? O que preciso fazer para chegar neste nível?

Pensando deste jeito, você pode traçar um plano de ação cuja execução te ajude a enxergar que, sim, você é capaz de ter determinadas realizações, desde que se organize e persista no caminho (ao invés de, diante de alguma dificuldade, ver aquilo como um "sinal" de imperfeição e incapacidade, e desistir antes de chegar em outros resultados).

Errar ou não estar onde se quer são situações, fatos. O que você vai sentir e fazer em relação a isso depende de como você verá estas questões. Então, ficar bem e ser mais produtivo está nas suas mãos, ou melhor, na sua maneira de enxergar tudo isso.

Ana Carolina Diethelm Kley
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quarta-feira, 27 de março de 2013

Tudo ou nada: você sofre com esse tipo de pensamento?

O primeiro sinal é uma variação brusca no seu humor: de repente, você pode se sentir muito triste e desanimado, sem nada ter especialmente acontecido ao seu redor.

A mudança, neste caso, pode ter sido interna e, mais especificamente, referir-se ao que acabou de passar pela sua cabeça.

Eu entendo que possa ser difícil identificar seus pensamentos mas, para facilitar, darei alguns exemplos do tipo tudo ou nada:

* No trabalho:
"Ou eu faço o melhor relatório que já se fez sobre o assunto, ou não tenho nada a contribuir"
"Ou eu sou o melhor chefe que este setor já teve, ou não sirvo pra nada"
"Ou eu ofereço as soluções mais criativas para este problema, ou não poderei ajudar em nada"

* Na vida afetiva:
" Se as pessoas fizerem 'loucuras' por mim, então, isso que dizer que eu tenho valor para elas. Se, por outro lado, elas só me derem atenção 'quando der', não se importam comigo"
"Se ele(a) me der a atenção que eu quero, os presentes e elogios que eu mereço todos os dias, aí sim, ele(a) gosta de mim. Se me oferecer menos, não se interessa por mim."

* Na vida pessoal:
"Ou eu consigo dar conta de tudo (trabalho, família, casa, amigos) muito bem e sempre, ou sou uma fracassada."
"Ou eu faço a minha dieta bem direitinho e exercício físico todos os dias, ou nada do que eu fizer (menos que isso) vai adiantar alguma coisa" 

Pensamentos do tipo tudo ou nada são capazes de fazer você sentir "a pessoa especial", amada ou competente por alguns segundos ou em determinadas situações (muito raras), e o preço a ser pago é se sentir insuficiente na outra parte do tempo (ou seja, quase sempre) e desqualificar tudo o que existe de bom.

Será que não existe valor em algo intermediário? Tem sim. Afinal, qualquer esforço ou demonstração é melhor que nada, qualquer ajuda já contribui e se você der conta do que tem pra hoje (e não de todo o projeto), já terá dado mais um passo. Todo resultado é a soma de vários passos, valorize o passo de hoje e haverá  motivação para o de amanhã. Ou continue com o tudo ou nada e não construa coisa alguma. A escolha é sua.

Ana Carolina Diethelm Kley
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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Ninguém é perfeito, mas todos querem ser


Resolvi aproveitar a deixa da tirinha do Schultz para falar um pouco mais sobre perfeccionismo e a maneira como ele age.

É muito comum ouvir frases como "ninguém é perfeito", "todo mundo erra" e afins. Mas, na prática, a vontade de ser perfeito é algo mais comum do que parece.

Então, mesmo quando as pessoas não se consideram perfeccionistas, elas podem ser. Talvez não na maneira de organizar suas coisas, mas nas expectativas que colocam sobre si e sobre os outros.

E como saber se você tem essa tendência a esperar além do que é realista? Essa é fácil!

É só prestar atenção em alguns sinais:
- se ao cometer um erro, você se acha a pior pessoa/ profissional do planeta
- se tudo o que você faz, nunca é bom o suficiente (sempre poderia estar melhor)
- se o que os outros fazem sempre poderia ficar melhor (afinal, ninguém faz tão bem quanto você)
- se seu corpo nunca está realmente em ordem (sempre tem uns quilinhos pra perder, algo pra ajustar)
- se na hora de tomar uma decisão, você considera muitas e muitas possibilidades, o que te faz demorar a decidir e, mesmo depois que isso acontece, você ainda fica na dúvida se fez o melhor
- se um amigo dá um mancada, seja ela qual for, e você risca definitivamente essa pessoa do seu caderninho

Então, já deu pra perceber que o perfeccionismo vai além de ser metódico? Então, coloque sua atenção nisso e verifique qual é o preço que ele tem.

Se você achar o custo alto, saiba que dá pra mudar a partir do momento que você discordar dessas exigências, baseando-se na realidade para construir novas expectativas.

Ana Carolina Diethelm Kley
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