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quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Preocupação é cuidado? Tranquilidade é desleixo?

Resolvi escrever sobre conceitos por uma razão simples: nossas ideias influenciam diretamente nossos comportamentos e, sendo assim, os conceitos nos quais acreditamos estimulam nossas condutas que, por sua vez, determinam os resultados que colhemos. 

Então, se seus resultados não te agradam, talvez seja uma boa estratégia analisar suas ideias.

O foco de hoje serão as ideias que algumas pessoas excessivamente ansiosas (um pouco de ansiedade é normal) podem ter.

Embora seja incômodo ficar ansioso, essas pessoas podem relutar em deixar de dar ouvidos à ansiedade. É estranho ler isso? Eu não acho. Na realidade, essa relutância me parece bastante coerente se partirmos de dois princípios:

ser preocupado = ser cuidadoso

ficar tranquilo  = ser desleixado


É possível que muitas pessoas pensem deste jeito porque ser cuidadoso costuma ser visto como ser precavido, ter cautela, se ocupar com os detalhes a fim de colaborar para que as coisas aconteçam corretamente. Uma pessoa cuidadosa pode ser descrita como aquela que se envolve com o que precisa ser feito, é responsável e se planeja. 

Agora, vamos à definição do que é ansiedade (caro leitor, essa é a minha definição, fruto de anos de experiência clínica e muitas leituras, mas está longe de ser algo definitivo): a ansiedade é uma emoção que resulta de uma tendência a superestimar os perigos e desafios e a subestimar os recursos que a pessoa tem para lidar com aquilo. Na prática, a ansiedade faz com que se foque no pior que pode acontecer de forma repetitiva, muitas vezes levando à paralisia, à procrastinação e ao desgaste mental e físico. Ao tentar abarcar todas as possibilidades de erro, a pessoa pode deixar passar o principal, sendo negligente ou, então, botando os pés pelas mãos.

O que é ser desleixado?
Essa definição é bem mais simples: basta não se importar mesmo, não se inteirar do assunto nem fazer nada a respeito; é o mesmo que deixar pra lá: "na hora eu dou um jeito". É não se preparar de nenhum jeito nem contar com a ajuda de ninguém. Mas, aí, você pode me perguntar: "uma pessoa assim não é tranquila, Ana?" Sim! Costuma ser, mas até os 40' do segundo tempo, quando ela realmente precisa colocar a mão na massa e surge o desespero. 

Agora, o que é uma pessoa calma? Neste texto, vou considerar como sendo alguém que aprendeu a lidar com a ansiedade e que tende a ser mais realista. Em outras palavras:  aquele que avalia a situação e resolve se focar nos desafios e ameaças mais prováveis, fazendo algo a respeito na maioria das vezes. Em relação às outras coisas que podem dar errado, até olha pra isso, mas não costuma se estender. Em geral, tem algum nível de organização e planejamento até o ponto em que isso ajuda a aumentar a produtividade. Mesmo com todos estes cuidados, não consegue evitar todos os erros, nem consegue garantir que tudo saia perfeito sempre (mas, enfim, quem é que consegue, não é mesmo?).

Ao avaliar estes conceitos, temos que a pessoa ansiosa faz o mesmo que a pessoa tranquila, só que de forma exagerada, pesada, custosa e menos eficiente. Já o desleixado não é uma pessoa verdadeiramente calma, embora aparente: sua tranquilidade apenas se sustenta enquanto ele não encara o desafio. 

Ser uma pessoa mais realista e mais tranquila não vai fazer com que você consiga evitar todos os problemas, mas vai ajudar a focar nos principais e a resolvê-los (nossa mente consegue fazer análises mais confiáveis quando não está tomada por pensamentos de ansiedade).

Se preocupar com tudo não vai te ajudar a prever todos os erros e  nem a focar nos mais prováveis (embora pareça que sim).

Então, proponho uma nova lista de conceitos:

ser excessivamente preocupado = ser exagerado e ineficiente

ser desleixado = ser descuidado e  ficar tranquilo até certo ponto 

ser calmo =  ser mais realista e focar no que vale a pena, sem acertar tudo sempre


O que parece mais vantajoso pra você?

Ana Carolina Diethelm Kley
anacdkley@hotmail.com
Para me adicionar no Twitter: @AnaDKley









quinta-feira, 23 de julho de 2015

Detalhismo e o prazer de fazer bem feito

Detalhismo ou preciosismo é o ato de realizar as atividades se prendendo aos detalhes. 

Isso é um problema?

Por favor, releia a primeira frase e veja se algo soa estranho pra você. 

Então... o verbo "prender" não foi usado à toa neste caso. O que acontece é que a pessoa se foca muito nos detalhes, usando boa parte do seu tempo nisso e, quando percebe, os minutos são escassos, a parte principal da tarefa ainda não foi contemplada e terá que ser vista de forma bem rápida, o que aumenta a possibilidade de erros aparecerem ou do trabalho não ficar bom. Ainda pode acontecer de não dar tempo mesmo de fazer o principal e estourar o prazo, que precisa ser renegociado.

Se isso acontece com frequência, pode afetar negativamente a imagem daquela pessoa que passa a ser vista como alguém que não entrega o que é necessário.

Outras consequências deste comportamento podem ser: aumento da ansiedade e preocupação, desânimo, sensação de que nunca vai conseguir dar conta das coisas e de que é incapaz de  ir até o fim. 

Bom, agora que já tenha ficado claro que o detalhismo é um problema e tanto. 

E onde se encaixa o prazer de fazer bem feito (a segunda parte lá do título!)?
Muito bem pensado, caro leitor...

É em nome dele que podemos nos engajar nos detalhes. Pena que este prazer dure pouco (em geral, até que sejamos cobrados pelos resultados ou que percebamos que não temos tempo suficiente para terminar o que é necessário). 

Outra razão pode ser imaginar que este é o melhor jeito de fazer as coisas: o famoso "tudo que tem que ser feito, merece ser bem feito". E que se as tarefas não forem feitas "de forma cuidadosa", o resultado será ruim.

Detalhe significa pormenor, uma particularidade que faz parte do todo, mas é algo que tem valor relativo, pequeno se comparado ao que é o principal.

Exemplo: você precisa entregar um relatório
Principal: conteúdo pedido 
Detalhe: a fonte da letra que você vai usar, a formatação da página, o aprofundamento do conteúdo num nível que não foi pedido mas que, dentro do raciocínio do detalhismo, "deixaria o trabalho muito melhor"

Os detalhes fazem a diferença?
Eu acho que sim, mas só quando não atrapalham a concretização do que precisa, de fato, ser feito.

Ana Carolina Diethelm Kley
anacdkley@hotmail.com
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quinta-feira, 16 de julho de 2015

Ter ansiedade é normal?

Depende.

Ansiedade é uma emoção que se assemelha a outras como receio, medo, preocupação, insegurança, angústia, desespero. Simplificando (apenas para facilitar nossa comunicação, caro leitor), vamos chamar tudo de medo (sim, ansiedade é só um nome diferente para medo). 

O que varia é a intensidade da emoção e os sintomas físicos que aparecem junto (exemplo: ao ficar preocupado, você pode sentir apenas uma leve tensão, algum nível de desconforto físico; já ao se sentir desesperado, seu coração bate muito rápido, você pode ficar agitado, com um aperto no peito e dificuldade de se concentrar).

Sentir ansiedade é normal. Todo mundo tem em um ou outro momento. O que acontece é que as pessoas, ou a maior parte delas, não fica falando aos quatro ventos que está ansiosa ou que se sentiu assim antes de dar uma palestra ou fazer uma reunião, o que pode passar a impressão de que isso só acontece com você.

Existem, ainda, aquelas que disfarçam muito bem e que, aos olhos dos outros, parecem totalmente seguras. Lá no fundo, pode ser que não seja assim, mas só elas sabem disso.

Algumas pessoas não se sentem bem em expor que tem medo ou que se sentem inseguras diante de um desafio, por pensarem que isso pode ser visto como uma falha, um defeito, algo que tire o valor delas de algum modo.

Bom, mas se sentir ansiedade é algo normal, então por que eu coloquei "depende" na primeira linha?

Porque, embora ter emoções do grupo da ansiedade seja algo que faz parte de todo ser humano, ela pode se tornar um problema (leia-se algo que foge do normal) dependendo da frequência e da intensidade com que ela aparece na sua vida.

E qual é o parâmetro usado para avaliar isso? Funcionalidade.
Em outras palavras: se a ansiedade que você sente causa prejuízos na sua produtividade e/ou nos seus relacionamentos, temos um sinal importante de alerta. 

O medo pode ser visto como um mecanismo de autocuidado que nos avisa quando há algo perigoso, sob qualquer ponto de vista, ao nosso redor. Quando a ansiedade começa a paralisar a nossa vida, ao invés de nos proteger ou orientar de maneira razoável, isso pode indicar que nosso "sensor" está descalibrado.

Se este for o seu caso, saiba que você não está sozinho! Questões ligadas ao excesso de ansiedade são muito comuns nas clínicas de psicologia. Administrar melhor sua ansiedade é uma habilidade que pode ser aprendida como qualquer outra. Só é preciso colocar seu foco nisso e ir atrás de mais conhecimento (aqui no blog, você pode clicar no marcador "ansiedade"; há vários posts sobre isso) e/ou de ajuda especializada. Aqui, você tem uma lista de profissionais que podem ajudar. Mãos à obra!


Ana Carolina Diethelm Kley
anacdkley@hotmail.com
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quinta-feira, 18 de junho de 2015

Vivendo com "E se's"



Preciso confessar que nunca vi ninguém afogado em "e se's" tão literalmente, mas já vi muita gente paralisada e com uma sensação de mesmice, insatisfação e falta de esperança num futuro melhor. E, sim, uma das causas pode ser o excesso de "E se".

Aliás, o que é isso?

"E se" são pensamentos ligados a remorso e tristeza, como nos exemplos do quadrinho acima. Essa maneira de rever o passado, causa a tal da paralisia porque, além de não trazer novas informações (como é que dá pra saber o que teria acontecido se você tivesse reagido diferente?), ainda faz com que o foco da sua atenção seja algo que não tem como ser modificado (o passado) e colabora para o excesso de autocrítica.

Os "E se" também podem ser pensamentos que causam ansiedade, preocupação, medo e insegurança e que fazem com que tenhamos alguns comportamentos como:
- tentar prever tudo o que pode dar de errado
- deixar pra depois as coisas que precisam ser feitas
- se prender a muitos detalhes e se perder no tempo 
- acabar não fazendo nada mesmo (porque nada garante que a coisa vá da certo)

Se você perceber que os tem, o que fazer com isso?

Acredito que algumas reflexões podem ajudar, então, vamos a elas:
- Quais são os efeitos (na prática) de ouvir meus "E se?"
- Quais são os custos (o preço) de levá-los em consideração?
- O que eu tenho ganhado com isso? ATENÇÃO: eu perguntei o que você, agora, ganha com isso, não o que você pode vir a ganhar se você continuar ouvindo os "e se"
- Estou sendo precavido e planejando o caminho a seguir ou estou somente paralisado?
- Se eu agir mais, o que receio que aconteça?
- Se isso acontecer (supondo que seja algo ruim), o que posso fazer?
- Se eu agir mais, posso me beneficiar de alguma maneira? Se sim, como?
- Que riscos corro se fizer isso? Eles são manejáveis?

Como refletir pode ajudar? 
Para mudar é preciso motivação. 
Motivos para agir podem surgir dessa reflexão. Quando você se sentir encorajado a fazer algo, por menor que seja, e der o primeiro passo, a mudança começou.

Responder essas perguntas dá trabalho e é preciso coragem pra fazer isso, coragem para se conhecer e encarar que talvez seja necessário pensar e agir diferente. Mas acredito que preço que o comodismo cobra seja muito mais alto, embora pago em parcelas. 
Ana Carolina Diethelm Kley
anacdkley@hotmail.com
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quinta-feira, 26 de março de 2015

Que se acalmar? Use a tecnologia!

Quando nos sentimos tranquilos, podemos tomar melhores decisões, dar respostas mais comedidas, aprender melhor e ir por caminhos mais prudentes, além de ter pensamentos mais realistas. Tudo isso porque nosso cérebro tem mais energia disponível para o raciocínio e a avaliação das situações quando nosso corpo não está inundado nem pela adrenalina (hormônio liberado pela medo) nem pelo cortisol (outro hormônio liberado em situações de estresse).
 
Mas como ficar mais tranquilo no meio de uma situação complicada?
 
Essa é uma pergunta que tem algumas respostas e, neste post, meu objetivo é ficar numa só: a partir da respiração.
 
Mas eu respiro o tempo todo e mesmo assim fico ansioso!
Sim, é verdade, caro leitor.
 
Na realidade, é o controle consciente da respiração que faz com que possamos retomar o estado de tranquilidade ou, pelo menos, diminuir o ritmo. Não precisamos ter este controle o tempo inteiro (ainda bem!), mas ele funciona bem e, afinal, nossa respiração é algo que está a nosso dispor a qualquer momento, em qualquer lugar e de graça.
 
E onde entra a tecnologia nisso? Então, fizeram um GIF que reproduz uma série de desenhos que se movimentam. O objetivo é que você o acompanhe com sua respiração: quando ele se expandir, você inspira, quando ele se contrair, você expira. Quer testar? Clique aqui e siga a imagem pelos menos umas dez vezes.
 
E por que isso realmente pode funcionar? Por algumas razões:
1) quando você sincroniza sua respiração à imagem, você se distrai dos seus pensamentos que causam a ansiedade
2) ao controlar sua respiração, você muda a fisiologia do seu corpo ajudando-o a funcionar de forma mais equilibrada
3) nossa parte física influencia e é influenciada pela nossa parte emocional, então, uma vez que você interfere nestas duas frentes, o resultado tende a ser melhor
 
Ver coisas no celular e navegar pela internet são atividades bastante comuns hoje em dia, não é? Então, aproveite-se disso e se ajude a ficar mais calmo.
 
Ana Carolina Diethelm Kley
anacdkley@hotmail.com
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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Você tem vergonha?

Se você tiver respondido "não", talvez seja hora de refletir. Quase todos os seres humanos sentem vergonha, com exceção de pessoas diagnosticadas como sociopatas, pois estes não sentem algumas coisas como empatia, vergonha, culpa e remorso. Fora eles, todos os outros sentem.
 
E a vergonha é uma emoção um pouco complicada, embora comum, pois nos deixa bem desconfortáveis e intimidados. Além de poder limitar nossas ações e avanços de forma geral.
 
Essa emoção aparece quando pensamos que fizemos algo que consideramos como não sendo adequado, seja lá o que isso tiver sido. Como exemplos, temos: falar ou fazer algo errado na frente das pessoas, não saber uma informação, não conseguir atingir expectativas ou até coisas mais simples como ficar com o dente sujo.
 
Independentemente do motivo, a vergonha nos diz que fizemos algo absurdo, que somos errados ou imperfeitos e que coisas ruins vão acontecer por causa daquilo (as pessoas vão pensar coisas negativas a nosso respeito, nos julgar e até nos rejeitar), um discurso bastante convicente naquele segundo e que costuma gerar insegurança.
 
Se ouvirmos e acreditarmos na "voz" da vergonha, poderemos ter muitos prejuízos ao longo da vida como achar que não podemos mostrar nossas dificuldades e imperfeições com medo de não sermos aceitos; podemos, também, não avançar nas questões profissionais com receio de nos expormos e sermos vistos como pessoas que podem falhar. Entre outras consequências.
 
Por mais que tentemos disfarçar, o fato é que ninguém faz tudo certo o tempo inteiro. Então, é esperado que tenhamos falhas e dificuldades. É absolutamente natural que não sejamos lindos, maravilhosos e bem sucedidos sempre. Não é preciso ser perfeito para ser amado. Aliás, das pessoas que você gosta (amigos, namorado(a), família), quantas são perfeitas mesmo?
 
Acredito que a resposta seja "nenhuma".
 
Veja o meu caso:  amo uma série de pessoas imperfeitas. E que bom que é assim e que elas permitem que eu veja a imperfeição delas, porque aí eu, que sou humana também e que tenho minhas dificuldades, me sinto mais próxima delas, menos um "ET".
 
Identificar a vergonha e trazer à tona o que ela diz  pode ser um jeito de poder avaliar se isso é razoável ou não. Dividir o que te deixa com vergonha com pessoas nas quais você confia também é um modo de aliviar o desconforto (a frase "Nossa, eu já fiz isso também" tem poderes mágicos).
 
Não há problema algum em ter vergonha. Acatar o que ela diz sem refletir: isso sim pode trazer consequências bem ruins.
 
Ana Carolina Diethelm Kley
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quinta-feira, 10 de julho de 2014

Medo de avião

Resolvi seguir a sugestão da minha amiga Liliane Inglez, que tem um blog sobre viagens, e escrever sobre o medo de viajar de avião. Existem tantos lugares maravilhosos para se conhecer e muitas pessoas acabam se privando deste prazer por causa do medo.
 
Em primeiro lugar, é importante esclarecer que não é o avião ou o vôo em si que causam este medo, mas o que se pensa a respeito deles. Se fosse a situação, todo os  passageiros sentiriam a mesma coisa e na mesma intensidade (mais ou menos como o frio na barriga que as pessoas sentem em algumas partes das montanhas russas), mas o fato é que existe todo tipo de reação dentro de uma cabine de avião: desde aqueles que tremem e suam frio até aqueles que dormem como bebês (sem remédios).
 
E quais seriam estes pensamentos? Lá vão alguns exemplos:
"E se o avião cair?"
"E se eu não tiver ar suficiente?", "E se eu não conseguir respirar?"
 
Quando eles aparecem, temos a impressão de que estes acontecimentos (o avião cair ou não ter ar suficiente na cabine) são altamente prováveis, quase certos.
 
Questionar essas aparentes certezas é um dos caminhos que nos ajudam a enfraquecer estes pensamentos e a voar com mais tranquilidade. Você sabe quantos aviões pousam e decolam em Congonhas (SP) por dia? Aproximadamente 600. Levando este número em consideração, temos 18.000 vôos só neste aeroporto por mês. E quantos aviões caíram saindo deste aeroporto no último ano? Nenhum. O avião só perde em segurança para o elevador.
 
Até porque os processos que mantém o avião voando, mesmo em caso de turbulência, já são conhecidos, estudados e aprimorados há muito anos (os primeiros vôos comerciais nos Estados Unidos datam de 1920) e as pessoas que os pilotam tem muita experiência nisso.
 
Em relação ao oxigênio, há um sistema que provê todo o ar necessário para os passageiros, prova disso é que nunca se ouviu falar de alguém que tenha morrido por falta de ar numa cabine. O que pode ser diferente no avião é a sensação que se tem ao respirar, que é muito parecida com a que ocorre em ambientes com ar condicionado ou, ainda mais, no caso das saunas (o ar está quente,  não escasso).
 
Além de refletir sobre a veracidade destas ideias, podemos questionar nossa necessidade de sempre ter certeza e, também, fazer exercícios de relaxamento no avião. Podemos, ainda, visualizar nossa chegada ao aeroporto de destino, como seremos recebidos, o que faremos em seguida. Essa técnica ajuda a projetar um pensamento (em forma de imagem) mais realista, o que nos deixa mais tranquilos.
 
Neste post, meu intuito foi expor algumas das maneiras de lidar com o medo de avião e mostrar que há luz no final do túnel para aquelas pessoas que sofrem com isso. O tratamento clínico inclui estas técnicas, e outras mais.
 
Não permita que este medo paralise sua vida e limite seu mundo, ainda mais quando há tratamento para isso.
 
Boas futuras viagens!
 
Ana Carolina Diethelm Kley
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quarta-feira, 17 de abril de 2013

Não somos educados para lidar com o FRACASSO

O fracasso, a falha, o erro são coisas que soam tão negativas que se prefere não olhar ou não pensar nestas coisas. É quase como se fossem "aqueles que não devem ser nomeados".
 
Então, também para os "evitar" (embora isso não seja possível),  paira no ar a frase "tudo vai dar certo!". Uma ideia que tranquiliza, mas que também pode enganar. Nem tudo vai dar totalmente certo (exatamente do jeito que imaginos) e isso é praticamente um fato pra todo mundo.
 
Ao ler isso, você pode se perguntar "nossa, o que será que aconteceu com a Ana? Por que ela está tão pessimista neste post?!". A resposta é: está tudo bem, caro leitor. Obrigada pela preocupação!
 
Brincadeiras à parte, é interessante notar que só o fato de mencionar as possibilidades de TUDO não dar certo já causa um certo pavor, já é algo visto como um prenúncio da catástrofe. Isso porque não fomos educados para lidar com o fracasso.
 
Afinal, é natural que não saibamos tudo, que exista o erro, que não consigamos dar conta de tudo; aliás, isso é a coisa mais natural que existe, tanto quanto o fato de respirarmos diariamente. O problema, então, não é fracassar, mas é o que achamos disso.
 
Parece-me que foi construído um mito sobre o fracaso que fez com que aumentássemos o valor que ele, de fato, tem e, a partir disso, criássemos uma escala de valores baseada na sua ausência ou na sua presença ("Se você dá conta de tudo, você é competente, capaz; se erra, é fracassado; se não sabe lidar com um imprevisto, é derrotado"). Aff... acha exigência nessa vida!
 
Então, ao invés de tentar evitar o inevitável (o erro), que tal começar a olhar isso de outra maneira? O primeiro passo é tirar o peso que isso tem: até a mais competente das pessoas, falha (embora pareça que não) em alguma coisa em algum momento. Um exemplo de como deixar as coisas mais tranquilas está aqui.
 
Nos posts seguintes, vou sugerir outras maneiras mais leves, produtivas e realistas de lidar com esse fato que vai conviver conosco pra sempre. Aí, como sempre, a escolha é sua: você pode manter seu jeito de olhar o fracasso ou pode adaptá-lo, se isso o ajudar mais. 
 
Ana Carolina Diethelm Kley
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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Insegurança: duvide dos seus pensamentos, não de você

A insegurança parece ser um mau da humanidade. Todo mundo, uma hora ou outra, sente isso. Mas, será que estamos falando da mesma coisa?
 
A insegurança à qual me refiro, neste post, tem a ver com a ideia de que você pode não dar conta de alguma tarefa ou desafio. Além disso, ela costuma aparecer quando você se encontra diante de uma oportunidade de crescimento ou uma mudança qualquer. E, aí, dá uma vontade muito grande de fugir da situação ou deixá-la pra depois.
 
Pronto, este é o retrato da insegurança ligada à ideia de que não se é capaz ou competente o suficiente.
 
E perceba se este tipo de ideia aparece hoje aqui, amanhã com outro assunto e, daqui duas semanas, dá as caras de novo, só que dessa vez ligada a uma terceira situação. Se assim for, pode ser que você tenha a tendência a ser inseguro e a duvidar das suas capacidades (é como se fosse um vício mental).
 
Se este for o caso, saiba que isso pode ser tratado e que você pode se sentir mais seguro, caso esteja disposto a olhar para seus pensamentos e a duvidar deles (e não de você), como você pode ver neste exemplo.
 
Sentir-se melhor e confiar mais nas suas capacidades é um processo que pode começar duvidando de pensamentos negativos, investindo em quaisquer ações nas quais você sinta prazer e tenha, também, a sensação de domínio e, além disso, colocando tempo e atenção em tarefas que o ajudem a desenvolver suas habilidades. Tudo isso é muito diferente de ficar focado apenas no pensamento que causa ansiedade e paralisia, não é?
 
Então, se o processo é diferente, o resultado deve ser também... vale a pena tentar.
 
Ana Carolina Diethelm Kley
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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Incerteza: manual de convivência

Querer ter certeza para se sentir mais seguro é uma das maiores pegadinhas do mundo.
 
Ela se baseia numa ideia muito parecida com a seguinte:
 
"Ter certeza de que as coisas darão certo é a melhor maneira de eu me acalmar. Afinal, assim, saberei que coisas ruins não acontecerão."
 
Mas a única coisa certa nesta vida, como todo mundo sabe, é que um dia morreremos. Sobre o resto, não há certezas absolutas.
 
E isso significa que o mundo é um completo caos e que não temos controle sobre nada?
Claro que não!! Nem oito, nem oitenta.
 
Se no seu dicionário "emocional" incerto é sinônimo de problemas, coisas dando errado e catastrófes, já é hora de fazer uma revisão e colocar as coisas em seus lugares.
 
E se ter uma certeza plena é algo inviável, em que podemos nos basear? Nas probabilidades (o que é isso?)! No que é mais provável, comum de acontecer: olhe para os fatos, para experiências passadas e, aí sim, formule suas conclusões.
 
Uma ideia alternativa:
" Querer ter certeza de que nada de ruim vai acontecer é a receita certa para se manter preocupado e tenso todos os dias. Ao invés disso, se eu me basear no que é mais provável de acontecer, terei uma base mais segura de julgamento e posso me acalmar. E se, no pior das hipóteses, surgir um imprevisto, tenho recursos internos e externos para lidar com ele, e prova disso é o fato de já ter resolvido imprevistos anteriormente. "
 
Que tal testar pensar desse jeito, diferenciar as preocupações produtivas das improdutivas e ver o que muda? Pode ser que você descubra que a ansiedade e preocupação são administráveis. Que lindo, não?
 
Ana Carolina Diethelm Kley
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quarta-feira, 25 de julho de 2012

Fique mais calmo ao diferenciar possibilidade de probabilidade

O que uma coisa tem a ver com a outra?

Quando estamos ansiosos ou preocupados, nossos pan's nos dizem que toda a catástrofe que passa pela nossa cabeça é altamente provável (iminente!), o que faz aumentar nossa sensação de vulnerabilidade.

E aqui cabe uma diferenciação importante:
* algo provável = um evento que acontece com frequência, algo que é comum de ocorrer
* algo possível = um evento que pode acontecer, mas que não necessariamente é frequente

Exemplo de preocupação: "E se eu sair e um meteoro cair na minha cabeça?"

Se eu fosse ouvir este pan, chegaria à conclusão que é altamente provável que, ao sair de casa, eu seja atingida por um meteoro. Isso é verdade? Não. Agora, é impossível que isso aconteça? Também não. Só é muito improvável.

Desta forma, cabe a nós diferenciarmos as ideias que nossos pan's nos dão: estas catástrofes e perigos podem até ser possíveis, mas são tão prováveis/ comuns assim? E como fazer esta distinção?

Observe e avalie apenas os fatos: nunca ouvi falar de algo vindo do céu que caiu na cabeça de alguém, embora saiba que eles já atingiram a Terra algumas vezes. Sendo assim, é pouco provável que isso venha a acontecer comigo.

Ficou clara a distinção? Então, agora, é só praticar.
Bom treino!

Ana Carolina Diethelm Kley
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sexta-feira, 13 de julho de 2012

Palestra sobre ansiedade

Caros leitores do Pensando Bem,

no próximo dia 22 de julho, domingo, darei uma palestra beneficente sobre ansiedade.

Meu objetivo é esclarecer o que faz com que fiquemos ansiosos (os pan's) e como lidar com isso, separando uma preocupação produtiva de outra improdutiva, por exemplo.

Todos estão convidados!

A palestra será na Avenida Lacerda Franco, 907 às 14:30. O local estará aberto a partir das 14:00, é necessário fazer sua inscrição enviando um e-mail para samantambt2@gmail.com e  o custo da palestra, por pessoa, é de R$ 15,00 (por favor, leve em dinheiro).

Quaisquer dúvidas ou comentários, é só escrever.

Até lá!

Ana Carolina Diethelm Kley
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quarta-feira, 9 de maio de 2012

Mais uma maneira de se acalmar: a tabela dos recursos

Uma das maneiras de diminuir a ansiedade é, diante de situações específicas, fazer uma forcinha para se lembrar dos recursos que você possui para encarar este desafio.

E quando uso a palavra "recurso", não me refiro apenas à questão financeira, mas a todas as habilidades, conhecimentos, jeitinhos, tecnologia e, também, amigos, familiares e contatos que podem ajudar a lidar com uma situação difícil.

Sendo assim, peguei o modelo de uma tabela, gentilmente cedida por Susana Telles (obrigada, Su!), para mostrar exemplos de como fazer isso no dia a dia. *

O caminho é o seguinte: anote a situação que o deixa ansioso, dê uma nota para a ansiedade, explicite os recursos que tem para lidar com este desafio e dê , novamente, uma nota para a ansiedade. É provável que, depois de enxergar tudo o que você tem a seu favor, sua ansiedade em relação àquilo diminua proporcionalmente.


* Exemplo inventado pela autora


A nota é dada de zero a dez, sendo zero o equivalente a nenhuma ansiedade e dez, a pior ansiedade que você já sentiu. A nota do "antes" se refere à ansiedade que você sente só de pensar na situação que precisará enfrentar. A nota do "depois" equivale a ansiedade sentida depois de serem explicitados os recursos, mas ainda antes de passar pela situação propriamente dita.

Você não precisa ser refém do excesso de ansiedade. É possível diminuí-la e torná-la produtiva (Saiba como diferenciar os tipos de ansiedade) com a prática de exercícios.

Sendo assim, bons treinos pra você.

Ana Carolina Diethelm Kley
anacdkley@hotmail.com
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quarta-feira, 2 de maio de 2012

Uma das causas da ansiedade

Tendo como premissa que é a maneira como interpretamos o fato, e não o fato em si, o que nos leva a ficar ansiosos ou preocupados, é sempre válido aumentar nosso conhecimento a respeito dessa interpretação.

Neste post, vou falar mais um pouco sobre um padrão muito comum nos pensamentos que geram a ansiedade.

Quando estamos preocupados, tendemos a supervalorizar o perigo, desafio ou ameça e, ao mesmo tempo, subestimar nossos recursos para lidar com aquilo.

Exemplo: "E se eu não der conta deste trabalho?"

Nesta pergunta, existem duas ideias bem disfarçadas, mas que acabam dando o "peso emocional" para esta frase. São elas:

A supervalorização do desafio: falando assim parece que se trata da coisa mais demorada, difícil, desafiadora, complexa e quase impossível que alguém já foi capaz de inventar para fazer (estou exagerando a ideia de propósito, embora, emocionalmente, possa ser assim mesmo que pareça)

A subestimação  dos nossos recursos: parece, ainda, que a pessoa não tem ninguém para quem pedir auxílio, nem pode contar com sua inteligência, raciocínio, memória, organização, habilidade de planejamento. Parece, também, que ela não tem fontes de informação disponíveis. É praticamente um analfabeto funcional com mãos, pés e boca atados.

Conclusão: temos um desafio imenso para ser encarado por uma pessoa sem recursos. Com certeza, essa maneira de encarar a situação gera muita ansiedade e insegurança!

Como reagir

Embora o PAN tenha o efeito de fazermos com que subestimemos nossa capacidade, uma  das melhores maneiras de lidar com ele, e ficar mais seguro, é exatamente  lembrar dos recursos que temos a nosso dispor.

Neste exemplo que eu dei, a pessoa em questão pode resgatar tudo o que já o ajudou a dar conta de trabalhos anteriores: desde aquela moça a quem pediu auxílio uma vez, até o seu poder de pesquisar o que já deu certo antes, tirar dúvidas com seu chefe, sua inteligência, sua agenda (para organizar as coisas), o tempo que tem pela frente, sua habilidade de fazer resumos, contas, enfim, sua habilidade de aprender coisas novas.

Quando explicitamos os fatores a nosso favor para lidar com um desafio, o tamanho dele tende a diminuir. Que tal fazer o teste durante esta semana?

No próximo post, darei mais exemplos disso.

Uma ótima semana de aprendizado a todos!

Ana Carolina Diethelm Kley
anacdkley@hotmail.com
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